“Cumprir estas regras significou asneira”, diz Louçã a Passos Coelho

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Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2012 as 10:46, por: cdb

Francisco Louçã confrontou o primeiro-ministro com o “desvio colossal” de dois mil milhões de euros nas contas públicas e com a proposta que estará em cima da mesa do Conselho Europeu de criar um superministro europeu das Finanças, assunto que Passos omitira ao parlamento no seu discurso.Artigo |27 Junho, 2012 – 17:41 Reunião do Conselho Europeu no debate quinzenal na AR

O tema do debate quinzenal foi a reunião do Conselho Europeu, numa altura em que a Espanha entrou em colapso e os mercados financeiros se lançam ao assalto das economias dos países em maiores dificuldades. Louçã insistiu nas responsabilidades da política de austeridade na situação que o país vive e lembrou ao primeiro-ministro que ela resulta na destruição da economia e no aumento da dívida para salvar o capital financeiro.

“Não há nenhum controlo sobre a especulação”, sublinhou o deputado bloquista. “Os bancos pedem dinheiro ao Banco Central Europeu a um juro de 1% a três anos e depois vão emprestar aos Estados e cobram 3% a três meses”, acrescentou, dizendo-se convencido de que Passos Coelho é sincero quando diz acreditar na receita da austeridade que esmaga a economia e a sociedade: “O senhor acredita na sra. Merkel como a reencarnação do mercado perfeito”, acusou o coordenador do Bloco.

Louçã procurou que Passos dissesse aos deputados o que fará sobre a proposta de criação dum superministro europeu do Orçamento e Finanças, uma vez que o primeiro-ministro nada disse acerca do assunto na intervenção de abertura. Depois da insistência, Passos deixou a garantia de que  “a Constituição da República Portuguesa será sempre respeitada pelo Governo”. “Pode estar descansado que eu nunca assumirei internacionalmente nenhuma posição favorável que seja contrária ou violadora dos princípios constitucionais por que nos regemos”, afirmou Passos Coelho, sem no entanto alguma vez dizer que se oporia à proposta de Angela Merkel. Louçã referiu que a aprovação de um superministro das Finanças transformará o Parlamento “um clube de conversa” “amputado do seu poder essencial”.

Os efeitos da política de austeridade na vida das pessoas foi outro tema sempre preente neste debate quinzenal. “Há um acordo em Portugal, que tutela a economia e a vida portuguesa, que determina coisas como o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, o fecho de 54 tribunais, a política de facilidade dos despedimentos e a política de ataque aos abonos sociais que acaba de ser publicado”, resumiu Louçã.

“Devemos perguntar-nos se esta política da Merkel, aplicada em Portugal, não está a destruir a nossa economia e a provocar um colapso, um desvio colossal nas contas orçamentais: faltam 2 mil milhões de euros e o senhor chama-lhe consolidação”, prosseguiu o bloquista, concluindo que “cumprir estas regras significou asneira” e perguntando a Passos “se a asneira deve continuar como uma regra para destruir a Europa e destruir Portugal”.