Cuidado: as festas podem virar um drama

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Publicado segunda-feira, 23 de dezembro de 2002 as 23:52, por: cdb

Para boa parte da população, a alegria das festas de fim de ano é regada a algum tipo de bebida alcoólica. Essa tradição, porém, pode ter conseqüências pouco agradáveis, quando as pessoas não respeitam limites, principalmente antes de dirigir.

A psiquiatra Florence Kerr, professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM), campus de Botucatu, faz diversas recomendações para quem não dispensa um “traguinho” para comemorar o Natal e o Réveillon.

Idealizadora do Projeto Viver Bem, que busca conscientizar os universitários em relação aos riscos do uso de álcool e drogas, Florence ressalta que a bebida é rapidamente absorvida pelo organismo e afeta o funcionamento do cérebro, prejudicando a atenção e a coordenação dos movimentos. Esses efeitos tornam mais demorada, por exemplo, a reação do motorista no momento de parar o carro quando o semáforo fecha.

Ela adverte que nunca se deve beber de estômago vazio, já que a ingestão de alimentos diminui os efeitos dessa droga no organismo. Outra sugestão é não tentar matar a sede com bebidas alcoólicas. Ela também recomenda que não se beba com muita rapidez, respeitando um intervalo entre os drinques.

“O organismo exige um certo tempo para absorver o álcool e o mesmo copo de uísque pode ter um efeito muito maior se for bebido em menos tempo”, comenta.

Um drinque, ou uma dose, segundo Florence, corresponde à ingestão de 12 gramas de etanol, ou seja, álcool puro. Essa quantidade da substância é atingida com uma latinha de cerveja (350 ml), ou uma taça pequena de vinho (140 ml), ou uma dose de destilados mais fortes como pinga, vodca, uísque, licor (37 ml).

Os efeitos do álcool vão depender da relação entre a quantidade ingerida, o peso e o sexo de quem bebe – em média, as mulheres têm a metade da resistência masculina em relação à bebida. Florence acentua que as leis brasileiras já consideram alcoolizada a pessoa que apresenta uma quantidade acima de 0,6 grama de álcool por litro de sangue. Para atingir esse limite, basta que um homem com entre 54 e 72 quilos tome duas latinhas de cerveja ou duas doses de pinga. Para uma mulher com entre 45 e 53 quilos, somente uma latinha ou uma dose de destilado é o suficiente para chegar a essa marca.

Com esse nível de álcool no sangue, o motorista tem o dobro de chances de provocar um acidente. Com um grama de álcool por litro de sangue, o risco é dez vezes maior e com 1,5 grama, 25 vezes maior.
Para evitar acidentes, Florence recomenda que quem bebeu demais e precisa voltar para casa entregue as chaves do carro a um acompanhante.

“Se estiver sozinho, é melhor voltar de táxi”, justifica.

Ela alerta que, além de ser uma droga e, por isso, causar dependência, o álcool é altamente calórico: uma latinha de cerveja tem 150 calorias, o mesmo volume de um cachorro-quente.