Cruzeiro acionará a Lazio na Justiça

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 28 de janeiro de 2003 as 23:42, por: cdb

Antes mesmo de expirar o prazo para o pagamento dos US$ 2,5 milhões e a entrega das garantias bancárias dos outros US$ 6 milhões da venda do lateral-esquerdo Sorín, no próximo dia 31, o Cruzeiro decidiu que entrará na Justiça contra a Lazio. O clube não vê perspectivas de receber logo o dinheiro da negociação, fechada em maio passado.

O superintendente de futebol do Cruzeiro, Zezé Perrella, disse nesta terça-feira que a ação está pronta, e o advogado que representa o clube no caso Paulo Amoretty, já está na Itália, para ingressar na Justiça Ordinária daquele país. Dos US$ 9,5 milhões acertados, apenas US$ 1 milhão foi pago até agora – a primeira parcela, já vencida, era de US$ 3,5 milhões.

“O Cragnotti (Sergio, presidente do clube, que renunciou em dezembro) faltou com a palavra e foi irresponsável”, reclamou o dirigente. Ele acionará também a empresa brasileira Bombril, que faz parte do grupo Cirio, de Serio Cragnotti, e é avalista da operação.

Perrella foi a Roma em dezembro, se reuniu com Cragnotti e recebeu o compromisso de que as pendências seriam resolvidas até dia 31 daquele mês. Com a renúncia do italiano, o prazo foi estendido em um mês, e agora foi a vez de Adhemar Magon, executivo da Hicks, Muse, Tate & Furst, empresa que era parceira do Cruzeiro no vínculo de Sorín, ir à Itália.

“Eles disseram ao Adhemar que podemos procurar os nossos direitos na justiça. A Lazio vai pagar por bem ou por mal, mesmo se perder os direitos sobre o Sorín na justiça, e torço para que isso aconteça, porque isso só legitima o nosso pleito”, disse Perrella, referindo-se ao fato de o lateral ter entrado na Justiça contra o clube italiano, pelo não pagamento de salários.

O superintendente do Cruzeiro explica que a Lazio, em sérias dificuldades financeiras, pretende devolver Sorín ao Cruzeiro. Para isso, argumenta a perda do interesse e apresenta o fato de o jogador, formalmente, ter defendido o clube italiano nos últimos seis ano por empréstimo.

“Como a Lazio não pagou a primeira parcela (de US$ 3,5 milhões, que deveria ter sido paga em agosto de 2002), nós não liberamos a transferência e, para efeito de federação, fizemos um adendo no contrato de venda, emprestando o Sorín por seis meses. Mas o contrato é, como dizem os advogados, um ato jurídico perfeito”, explicou.

Como argumento, Perrella apresenta o fato de Sorín ter assinado contrato de cinco anos com a Lazio e, mais uma vez, descartou a volta do lateral do Cruzeiro. “Não há a menor possibilidade. O salário dele lá, de US$ 150 mil, equivale a quase metade da nossa folha salarial”, enfatizou.

Após entrar na justiça pedindo a rescisão de contrato, já que não recebe salários desde outubro, Sorín acertou transferência para o Barcelona. “O Sorín não conseguiu ser titular lá, e acho que a Lazio se arrependeu da contratação. Eles acertaram os salários de todos os jogadores, menos o do Sorín, foram irresponsáveis em todos os aspectos”, observou Perrella.

O dirigente prevê que, após o ingresso na Justiça, ação que, acredita, possa levar seis meses para ser resolvida, a diretoria da Lazio tentará uma solução pacífica. “Podemos até levar um calote, se a Lazio falir, o que não acredito, porque eles receberam um investimento de 20 milhões de euros. Eles devem tentar um acordo, mas não vamos abrir mão de nada”, contou.