Crítica recebe mal, mas público aplaude o Senhor dos Anéis

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Publicado domingo, 26 de março de 2006 as 14:11, por: cdb

Apesar de a crítica repercutir mal o musical Lord of the Rings, que estreou neste fim de semana em Toronto, o público parece não ter levado em conta o que disseram os grandes diários ingleses e norte-americanos. O teatro Princess of Wales, tido como o mais moderno e bem equipado do Canadá, teve sua capacidade testada até os limites, com todas as suas sessões lotadas. Junto ao público, o espetáculo parece ter cumprido com o seu dever e divertiu quem se dispôs a pagar até US$ 1,3 por um lugar na platéia para assistir ao épico, montado em três horas de duração. A peça, que demorou quatro anos para ficar pronta, tem uma das montagens mais caras da história: custou US$ 25 milhões.

“Ele (o projeto) serve para provar que nem sempre se resolve um problema colocando bastante dinheiro nele”, diz Charles Spencer, do jornal britânico Daily Telegraph, que classificou o espetáculo de “insuportavelmente fofinho”. “Toda a tecnologia empregada lembra mais uma feira de artes e espetáculos”, diz o crítico Bem Brantley, do diário americano The New York Times. Para ele, o espetáculo foi “amplamente incompreensível”.

Investimento arriscado

O produtor Kevin Wallace, que já trabalhou com o mago britânico dos musicais, Andrew Lloyd Webber, leu o rascunho da adaptação feita por Shaun McKenna em 2001. Em 2003, já havia formado a equipe, que inclui alguns veteranos do circuito teatral londrino. Na falta de um teatro de grande porte disponível em Londres, a estréia foi transferida para Toronto. Nova York não foi considerada um bom ponto de partida.

– Eu acho que, culturalmente, aqui (Toronto) é mais perto de Londres. Com certeza a pressão é menor, o que é absolutamente necessário quando você quer criar uma obra nova – diz o diretor Matthew Warchus.

O objetivo final, no entanto, é que se crie uma réplica do espetáculo em Londres, em março de 2007, e uma nos Estados Unidos, em 2008. O ator canadense Brent Carver interpreta Gandalf, o jovem britânico James Loye é Frodo e Richard McMillan é o odioso mago Saruman, mas os desafios enfrentados pela equipe são muitos. A produção precisa respeitar o original de Tolkien e satisfazer os fãs exigentes do escritor e, ao mesmo tempo, criar um empreendimento comercial que apele àqueles que talvez nunca tenham lido os livros.

– Eu evitei completamente os filmes – disse o cenógrafo Rob Howell.

Para ele, os livros são o melhor e único ponto de referência. Já o ator Loye, de 26 anos, conhecia os filmes, mas não os livros. Ele conta que fica boquiaberto quando, parado na coxia, vê os efeitos especiais em ação. O espetáculo dispensa descidas de cortina para passar de uma cena para outra. Cenários mudam rapidamente, de uma tranqüila paisagem campestre para uma batalha feroz.

Há muita especulação sobre o sucesso ou não do empreendimento. O jornal Toronto Star disse que “a batalha nos bastidores para colocar o espetáculo em forma e reduzi-lo a uma duração razoável teve proporções épicas”. Na pré-estréia, nesta quinta-feira, a apresentação foi interrompida por problemas técnicos e acidentes. Grandes trechos foram cortados para que o musical tenha a duração atual, de três horas e meia.

O produtor Kevin Wallace admite que algumas pessoas esperavam um musical mais convencional. Mas disse estar confiante de que as falhas foram corrigidas. Ele acha que o poder da história original de Tolkien vai sustentar o espetáculo. Para Wallace, o musical fala de “um mundo de beleza e amor e complexidade que está à beira da destruição”.