Em tempos de crise pós 11/09, Brasil atrai norte-americanos e expatriados

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Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 12:03, por: cdb

Após 11 anos vivendo nos Estados Unidos, o trabalhador da construção civil Jovino Coutinho resolveu fazer as malas e voltar ao Brasil em 2009. Diante da estagnação do mercado imobiliário americano, os serviços de reforma, construção e demolição ficaram escassos. Em compensação, no Guarujá (SP), onde participa das obras de um condomínio, Coutinho diz que “não está dando conta” de tanto trabalho.

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Jovino Coutinho, de volta ao Brasil após 11 anos trabalhando na construção civil nos EUA

A norte-americana Donna Roberts, de 48 anos, que veio do sul da Flórida para o Brasil em fevereiro, relata contraste semelhante.”Lá, víamos muitos restaurantes e negócios fechando, nossos amigos perdendo suas casas, enquanto que aqui, parece que nada está desacelerando a economia”, diz a documentarista e educadora ambiental.

Maior economia do mundo, os Estados Unidos ainda têm um PIB quase sete vezes maior do que o do Brasil, e PIB per capita de US$ 47,2 mil – quatro vezes superior ao brasileiro. Mesmo no pós 11/09, a economia norte-americana manteve taxas de crescimento entre 2% e 3,5% até 2007, e o país continua sendo um dos mais procurados por estrangeiros em busca de oportunidades e refúgio.

Mas, em contrapartida, os Estados Unidos mergulharam em duas custosas guerras na última década, sofreram com o estouro de uma bolha imobiliária e chegaram a um endividamento limite de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 23 trilhões), teto que foi elevado após uma desgastante votação no Congresso. Um mercado interno deprimido e o desemprego ao redor dos 9% desafiam os esforços do governo do presidente Barack Obama.

Aquecimento

Já o Brasil, vindo de anos de baixo crescimento econômico, conseguiu domar a inflação e o desemprego, estabilizou sua dívida e criou um mercado de consumo interno forte nos últimos dez anos, decorrente da entrada de milhões de pessoas na classe C.

Em 2008, a Standard & Poor’s, mesma agência que neste ano rebaixou a nota da dívida norte-americana, deu ao Brasil o título de alto grau de investimento, o que fez com que o país fosse considerado de baixo risco para aplicações estrangeiras.

O cenário se tornou mais atraente para estrangeiros: no primeiro semestre de 2011, 4.312 norte-americanos receberam vistos do Ministério do Trabalho brasileiro, em comparação com 3.622 no mesmo período em 2010.

-A diferença é que, de 2008 para cá, o motor do crescimento norte-americano se esgotou. No caso brasileiro, as bases foram preservadas, afirma Rogério Mori, professor de macroeconomia da FGV-SP.

Para Rubens Barbosa, embaixador brasileiro em Washington entre 1999 e 2004, a maior relevância geopolítica e econômica do  Brasil já provoca mudanças de percepção sobre o país nos Estados Unidos.

-Antes, o Departamento de Estado via a América Latina através do México ou de Cuba, diz Barbosa. “Hoje, me surpreende que o encarregado de negócios tenha vivido em São Paulo e que todos (na embaixada norte-americana) falem português. Vemos que o interesse mudou”, pontua o  chanceler.

Riscos

Os norte-americanos residentes no Brasil, entretanto, observam na conjuntura econômica brasileira o perigo de algumas “armadilhas” que levaram os Estados Unidos à crise. “O Brasil euforia de consumo”, diz Jason Bermingham, no Brasil há 15 anos. “Não sou economista, mas vejo os preços dobrarem”, opina.

-Os preços estão muito altos, e as pessoas têm mais acesso ao crédito. É preciso cuidado para que não ocorra o mesmo que nos Estados Unidos”, diz Donna Roberts. Já o economista Mori cita uma diferença relevante entre as duas economias: “A facilidade do crédito americano era muito mais intensa. No Brasil, com suas altas taxas de juros, os limites de endividamento são muito mais estritos.”

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