Crise da Coréia do Norte será discutida nos EUA

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Publicado sexta-feira, 3 de janeiro de 2003 as 01:15, por: cdb

O governo dos Estados Unidos anunciou que o país será a sede de um encontro internacional, na semana que vem, para discutir a crise nuclear envolvendo a Coréia do Norte.

O assessor para o leste asiático do Departamento de Estado americano, James Kelly, irá encontrar colegas da Coréia do Sul e do Japão em Washington antes de viajar em uma missão para a região.

Correspondentes da BBC dizem que a intenção do governo americano é isolar totalmente os norte-coreanos, do ponto de vista político e econômico.

A tese, porém, não tem sido bem aceita pelos sul-coreanos, que acreditam que a Casa Branca está sendo muito dura na questão.

Fome

Antes do anúncio, o presidente americano, George W. Bush, havia acusado o líder norte-coreano Kim Jong-il de estar matando seu povo de fome.

Falando em seu rancho no Texas, o presidente americano afirmou que o povo do país está sofrendo por causa de seu líder.

Segundo agências internacionais, mais de 2 milhões de norte-coreanos já morreram de fome ou desnutrição desde meados da década de 1990.

“Nós (americanos) temos um grande coração. Mas eu não tenho coração por alguém que leva seu povo à fome”, disse Bush.

Apesar dessas afirmações, o presidente americano voltou a dizer que a crise com o país asiático pode ser resolvida de forma pacífica.

Diplomacia

Os sul-coreanos têm pressionado o governo chinês para ajudar na crise.

O governo do país quer que os chineses convençam o governo da Coréia do Norte a abandonar seu programa de energia nuclear.

Segundo a agência de notícias Reuters, o governo chinês teria concordado em utilizar a diplomacia e sua influência sobre os norte-coreanos para tentar solucionar a crise.

O país tem sido bastante relutante na questão e é um dos principais aliados dos norte-coreanos.

A crise entre os americanos e a Coréia do Norte foi ampliada depois de acusações de que os norte-coreanos teriam um plano secreto para a produção de armas nucleares.

Baseando-se nessa informação, autoridades americanas decidiram cortar o envio de petróleo ao país – o que fazia parte de um acordo para evitar que a Coréia do Norte explorasse a energia nuclear.

Após o corte, o governo norte-coreano anunciou a reativação da produção de energia nuclear e, posteriormente, expulsou inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) que estavam trabalhando no país.

Em seu pronunciamento de quinta-feira, Bush afirmou que está conversando com seus aliados para convencer a Coréia do Norte de que “não é do seu interesse desenvolver armas de destruição em massa”.

Os Estados Unidos não concordam em abrir negociações diretas com os norte-coreanos. Dizem que se o fizessem estariam prestigiando o “comportamento ruim” do país.