Crise causada por acidentes nucleares no Japão não foi superada, diz Aiea

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Publicado segunda-feira, 21 de março de 2011 as 10:05, por: cdb

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A crise nuclear no Japão ainda é grave e não foi superada. A conclusão é do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Yukiya Amano, com base em relatórios que recebe diariamente, na visita que fez na semana passada e nas reuniões que teve com autoridades e especialistas japoneses. Porém, Amano disse hoje (21) “não ter dúvida” que a crise será superada e que a energia nuclear é a melhor alternativa para o setor.

“A crise ainda não foi resolvida e a situação na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi continua muito grave”, afirmou. “Há ainda elevados níveis de contaminação no local.”

No entanto, o diretor-geral da Aiea disse estar otimista: “Não tenho dúvida de que esta crise vai ser efetivamente superada. A natureza pode ser cruel. Mas os seres humanos são corajosos, habilidosos e resistentes, como as pessoas afetadas pelo tsunami têm mostrado nos últimos dez dias.”

O Conselho de Governadores da Aiea, formado por 35 representantes, reuniu-se hoje extraordinariamente em Viena, na Áustria. De acordo com a agência, Amano relatou aos presentes as últimas avaliações sobre as explosões e vazamentos nucleares ocorridos no Japão.

“Compreendo perfeitamente as preocupações de milhões de pessoas, no Japão e nos países vizinhos da Ásia, assim como de outras regiões, sobre os possíveis perigos para a saúde humana, a contaminação ambiental e os riscos para os alimentos”, afirmou Amano.

O diretor-geral da Aiea disse que os acidentes no Japão levaram a comunidade internacional a buscar uma resposta de emergência para evitar associações com o que ocorreu em Chernobyl, em 1986. “A agência está fazendo todo o possível para fornecer informações precisas e factuais. Tenho confiança que o governo japonês irá abordar as preocupações do público de forma adequada”, disse.

No último dia 17, Amano foi a Tóquio, no Japão, quando se reuniu com o primeiro-ministro Naoto Kan e os ministros das Relações Exteriores, da Economia, Indústria e Comércio, além da equipe da empresa Tokyo Electric Power Company (TEPCO) – responsável pela usina de  Fukushima – e da Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão.

Segundo Amano, mesmo após o acidente do Japão, a energia nuclear é a opção mais viável, estável e limpa. “A energia nuclear continua a ser uma opção importante e viável para muitos países como fonte estável e limpa de energia. Alguns países estão revendo seus planos à luz do que ocorreu em  Fukushima”, afirmou.

Edição: Graça Adjuto

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