Criador de Dolly poderá clonar embriões humanos

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Publicado terça-feira, 8 de fevereiro de 2005 as 14:52, por: cdb

O criador da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta, conseguiu uma licença para clonar embriões humanos com fins de pesquisa.

A Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia da Grã-Bretanha aprovou os planos do cientista Ian Wilmut, do Instituto Roslin, de Edimburgo, e de uma equipe do Kings College, em Londres, de clonar os embriões em seus primeiros estágios de desenvolvimento para estudar a doença degenerativa do neurônio motor.

Wilmut afirma que a doença pode ser estudada com detalhamento inédito caso possa usar as técnicas de clonagem para este fim, mas críticos dizem que fazer testes com embriões humanos é imoral.

A clonagem terapêutica para fins de pesquisa foi legalizada em 2001 na Grã-Bretanha, mas até agora só uma licença foi concedida para cientistas do país.

Nova idéia

Até o momento, o que os cientistas têm solicitado é a possiblidade de criar embriões clonados para ver se eles podem ser desenvolvidos em tecidos capazes de serem usados para curar partes do corpo humano que sofreram danos.

Mas Wilmut tem uma proposta diferente – ele quer clonar embriões com a doença do neurônio motor a partir de células de pessoas que já sofrem dela.

Além do detalhamento que o uso destes clones possiblitaria, Wilmut diz que também poderão ser testadas novas drogas para ver se elas conseguiriam frear a doença.

Críticos dizem que o uso dos embriões clonados é anti-ético e desnecessário e pode significar um passo a mais na direção da clonagem de seres humanos.

Mas Wilmut afirma que não tem intenção de clonar pessoas e que os embriões usados nas pesquisas serão destruídos após as experiências.

Ele disse ainda que não permitirá que os embriões ultrapassem 14 dias após sua formação.
A doença degenerativa do neurônio motor é causada pela morte de células conhecidas como neurônios motores que controlam o movimento no cérebro e na espinha dorsal.

Na Grã-Bretanha, estima-se que as pessoas que sofrem da doença morram em média 14 meses depois de seu diagnóstico.