Cresce oposição a imigração nos EUA

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Publicado quarta-feira, 1 de outubro de 2003 as 14:08, por: cdb

A oposição à imigração em massa e o ressentimento contra os recém-chegados parece estar em alta nos Estados Unidos, graças ao desaquecimento econômico e aos temores despertados pelos ataques de 11 de setembro de 2001. Desde os ataques, as autoridades vêm tentando restringir o acesso ao país. Para isso, as fronteiras estão mais vigiadas, os violadores das leis de imigração são punidos com mais rigor e conseguir um visto ficou mais difícil. Mesmo assim, continua grande o fluxo de imigrantes ilegais na fronteira com o México.

Em algumas cidades, cidadãos e políticos protestam contra os estrangeiros. Em Holyoke, Massachusetts, a Câmara de Vereadores rejeitou no ano passado, por 14 votos a 1, um pacote de US$ 1 milhão do governo federal, condicionado à aceitação de 60 famílias de refugiados somalis, afinal transferidas para outra cidade. O prefeito de Lewiston, Maine, pediu em 2002 que seja proibida a entrada de mais somalis na cidade, onde já há 1,2 mil deles. Cidadãos de Cayce, Carolina do Sul, também se mobilizam contra a vinda de refugiados africanos, dizendo que sua presença vai prejudicar o rendimento escolar e desvalorizar as propriedades.

No Arizona, existe uma campanha para levar a referendo a proposta de impedir o acesso de imigrantes ilegais aos serviços públicos. Pesquisa recente mostrou que 70% dos eleitores aprovam a idéia. A Califórnia já aprovou resolução similar em 1994, depois derrubada nos tribunais.

“O sentimento antiimigração sempre depende da economia, e agora ela está em seu pior estado em quase 20 anos. Junte-se a isso o 11 de Setembro, e tudo assume tons muito diferentes”, afirmou Lavinia Limón, diretora do Serviço de Imigração e Refugiados.

Em Long Island, Nova York, as seções de cartas dos jornais locais estão cheias de pedidos para que a polícia aja com mais rigor contra imigrantes ilegais e empresários que os contratam. Nesta semana, uma subcomissão da Câmara discutiu um projeto que dá a Estados e municípios o poder de prender imigrantes ilegais. Comunidades que não fizerem isso podem sofrer punições financeiras.

“Desde o 11 de setembro, os norte-americanos se conscientizaram de que o governo perdeu o controle sobre a imigração. Foi o completo colapso dos controles nas fronteiras e no interior que nos deixou abertos à exploração por terroristas, assim como por estrangeiros ilegais”, disse David Ray, diretor da Federação para a Reforma na Imigração Americana, que defende as restrições.

Pesquisa feita no ano passado pelo Conselho de Relações Exteriores de Chicago mostrou que 60% dos entrevistados consideram que os atuais níveis de imigração representam “uma ameaça crítica” para o país. Na opinião de 55%, a imigração deveria diminuir.

Na década passada, cerca de 11,2 milhões de imigrantes chegaram aos EUA. Eles e seus cerca de 6,4 milhões de filhos respondem por quase 70% do crescimento populacional do país nesse período, segundo o Censo. Estima-se que haja nos Estados Unidos entre 8 milhões e 11 milhões de imigrantes ilegais.

“Os imigrantes costumavam se concentrar em determinadas cidades e regiões. Agora, estão em todas as comunidades e em todos os Estados. Comunidades que não têm experiência com imigrantes podem ficar desconfiadas no começo, mas isso geralmente passa”, afirmou Frank Sharry, diretor do Fórum Nacional da Imigração, entidade que defende a presença de estrangeiros.

Até os ataques de 2001, os Estados Unidos recebiam em média 90 mil refugiados por ano. No ano fiscal de 2002, esse número caiu para 27.400. Neste ano fiscal, encerrado na terça-feira, foram 28 mil. Além disso, recentemente o Congresso colocou em vigor uma lei que reduz de 195 mil para 65 mil a quantidade de vistos reservados para imigrantes com alta qualificação.

Nesta semana, o governo transferiu a responsabilidade sobre os processos de vistos do Departamento de Estado para o Departamento da Segurança Doméstica. Washington quer ainda introduzir, até o final do ano, um sistema para registrar fotos e