Cresce o sentimento antiamericano em países muçulmanos

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Publicado sexta-feira, 21 de setembro de 2001 as 15:06, por: cdb

Os protestos contra uma possível represália militar norte-americana contra o Afeganistão estão crescendo no Paquistão e em outros países asiáticos cuja população é em sua maioria muçulmana.

Nesta sexta-feira, pelo menos duas pessoas foram mortas durante confrontos e manifestações na maior cidade do Paquistão, Karachi, segundo informações da polícia local.

São as primeiras mortes decorrentes dos protestos contra a decisão do governo paquistanês de apoiar os Estados Unidos em sua ofensiva contra o terrorismo, declarada em decorrência dos atentados em Washington e Nova York no último dia 11, e em sua possível retaliação ao Afeganistão, país que abriga o principal suspeito de tramar os ataques, Osama bin Laden.

Milhares de pessoas compareceram a manifestações de protesto em Peshawar, Islamabad, Quetta e Lahore após as tradicionais orações islâmicas da sexta-feira.

Alguns protestos foram menores do que o esperado e a maioria começou de forma pacífica. Em várias cidades, o trânsito foi interrompido e o comércio, fechado.

Maioria pacífica

Em Daca, a capital de Bangladesh, quase 10 mil muçulmanos fizeram um protesto barulhento após deixarem as mesquitas da cidade.

Empunhando faixas e cartazes com dizeres contra os Estados Unidos, os manifestantes carregavam fotografias do saudita Bin Laden e queimavam imagens do presidente norte-americano, George W. Bush.

“Abaixo a América. Defendemos a justiça e a proteção para os muçulmanos e sua fé islâmica”, gritava a multidão enquanto marchava pelas ruas. A tropa de choque, armada com revólveres e escudos, seguia os manifestantes, mas sem tentar dispersá-los.

Bangladesh prometeu total cooperação com os Estados Unidos no combate ao terrorismo, permitindo inclusive o uso de seu espaço aéreo, portos e outras instalações pelas tropas norte-americanas.

Cerca de 87 por cento dos 130 milhões de habitantes de Bangladesh são muçulmanos, mas há anos os governantes do país tentam estabelecer uma política secular – ou não-religiosa – para manter a harmonia no país.

Franco-atiradores

Já na região indiana da Caxemira, a polícia dispersou, com bombas de gás, manifestantes que queimavam uma bandeira norte-americana e juravam defender o Afeganistão.

“Guerreiros afegãos, estamos com vocês! Viva o Afeganistão! Vida longa ao Paquistão!”, bradavam os manifestantes em frente à maior mesquita de Srinagar, a capital do estado indiano de Jammu e Caxemira. Nesta sexta-feira, o estado está em greve geral, convocada pro grupos guerrilheiros em solidariedade aos afegãos.

Na Indonésia, a polícia afirmou que franco-atiradores estão protegendo a embaixada norte-americana depois que radicais muçulmanos ameaçaram reagir com violência caso os Estados Unidos desse início à retaliação militar.

Cerca de 50 estudantes, alguns queimando bandeiras norte-americanas de papel, protestaram em frente à embaixada em Jacarta após as orações do meio-dia. Apesar da presença de tropas de choque, não houve registro de violência.