Cresce movimento contra nomeação para o MEC

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Publicado segunda-feira, 26 de novembro de 2012 as 13:33, por: cdb

26/11/2012

O projeto educacional defendido por Cláudia Costin não é aquele que Brasil necessita

A divulgação da notícia de que a ex-Ministra da Administração e Reforma do Estado no Governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, Cláudia Costin, pode vir a assumir a Secretária da Educação Básica do Ministério da Educação causa-nos grande preocupação.

Nosso posicionamento quanto à educação pública nacional não é pautado por discussões pessoais, mas por concepções coletivas construídas ao longo de décadas pelo movimento dos professores e demais profissionais da educação e pela sociedade civil organizada, comprometidos com a construção de uma escola pública democrática, gratuita, laica, inclusiva e de qualidade para todos.

Exatamente por isto, entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, à qual a APEOESP é filiada, bem como educadores como Dermeval Saviani (Unicamp), Mirian Jorge Warde (PUC-SP), Roberto Leher (UFRJ), Gaudêncio Frigotto (UERJ), Virginia Fontes (UFF/Fiocruz), Maria Ciavatta (UFF), Dante Henrique Moura (IFRN), Vânia Cardoso Motta (UFRJ), Eveline Algebaile (UERJ), Domingos Leite Filho ( UTPr), Sônia Maria Rummert (UFF), Marise Ramos (UERJ/Fiocruz), Olinda Evangelista (UFSC), Domingos Leite Filho ( UTPr), Laura Fonseca (UFRGS),

Carmen Sylvia Morais (USP) e Sônia Kruppa (USP) divulgaram notas e manifestos discordando de qualquer movimento que venha a indicar retrocessos no projeto de resgate da educação pública brasileira e do país, que com muita luta tem sido colocado em curso na última década.

Transformada em petição pública, o documento dos educadores segue colhendo assinaturas em todo o Brasil (leia AQUI). Também o Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil – MIEIB, enviou carta aberta ao Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, contra a nomeação.

Sabedores de que o Ministro da Educação é sensível às demandas sociais e também portador de um perfil de estadista, e republicano, temos a certeza de que esta possível nomeação da senhora Cláudia Costin será revista, não porque ela não possua qualidades para o cargo, mas porque o projeto educacional que defende não é aquele que o Brasil necessita. Até mesmo porque, quando da indicação do professor César Callegari para a Secretaria de Educação Básica do MEC, o Ministro nos deu a oportunidade de opinar e acatou nossa opinião.

Embora o professor César Callegari esteja saindo do cargo, por motivos pessoais, ele cumpriu uma agenda importante para a educação pública, deixando um legado positivo, no qual se destaca o Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa, que sinaliza para a superação de uma dos mais graves problemas educacionais brasileiros.

A concepção educacional pela qual lutamos e pela qual também luta o professor César Callegari situa-se na perspectiva da inclusão social, muito diferente da concepção educacional representada pela senhora Cláudia Costin. Lutamos para não excluir e trabalhamos com a urgência que o Brasil necessita para que todas as nossas crianças e jovens tenham acesso à escola pública de qualidade, em todos os níveis. Lutamos também para que todos os brasileiros que não tiveram oportunidade de estudar na idade própria possam fazê-lo, por meio de programas de Educação de Jovens e Adultos cada vez mais acessíveis. Trabalhamos para incluir, não para excluir.

Nosso projeto é diametralmente oposto àquele que trabalha pela privatização do ensino público, não reconhece e não valoriza a importância do trabalho do professor e organiza os currículos e os conteúdos em cadernos e apostilas que retiram, ainda mais, a autonomia e a iniciativa pedagógica dos professores.

Como dizem em seu manifesto os educadores anteriormente citados, “se confirmada Cláudia Costin à frente da Secretaria de Educação Básica, é esperada a descaracterização da educação fundamental e média com o apagamento do professor e do aluno como sujeitos históricos. Costin faz parte de um grupo de intelectuais que segue a férrea doutrina do mercado, onde tudo vira capital, inclusive as pessoas. Não mais a educação básica, direito social e subjetivo, mas escola fábrica de capital humano.”

Isto nós não queremos e não aceitamos.

[Fonte: http://www.viomundo.com.br/ – Blog do Luiz Carlos Azenha].

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