CPMI quer realizar 33 audiências até fevereiro

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Publicado terça-feira, 27 de dezembro de 2005 as 14:27, por: cdb

A Sub-Relatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios dá início, nesta quarta-feira, à série de 33 audiências que serão realizadas durante a convocação extraordinária. Estão marcados três depoimentos a partir das 13h. O primeiro depoente será o sócio da empresa Beta (Brazilian Express Transportes Aéreos), Francisco Marques Carioca, convocado pela segunda vez. Na primeira, no início do mês, ele não compareceu e nem apresentou justificativa para a ausência. Por esse motivo, se for necessário, poderá até mesmo ser conduzido pela Polícia Federal.

A Beta é acusada de superfaturar preços dos contratos fechados com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para operar o Correio Aéreo Noturno. O sub-relator, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), afirmou em seu relatório parcial, divulgado em novembro, que a Beta operava em conluio com a Skymaster Airlines, fraudando licitações e dividindo as concorrências que ambas ganhavam.

As outras duas audiências são de funcionários dos Correios que devem explicar a execução dos contratos firmados pela estatal: Adauto Tameirão Machado, chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material, e Antônio de Paula Braquehais, chefe do Departamento de Negócios e Operações da Internet da ECT. Machado ocupa o mesmo cargo que até o início deste ano pertenceu a Maurício Marinho, flagrado, em uma gravação, embolsando R$ 3 mil – o escândalo que deu início às denúncias do mensalão.

‘Valérioduto’

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios está analisando uma lista com cerca de 400 nomes de funcionários comissionados da Câmara dos Deputados que podem fazer parte do esquema do “valerioduto”. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), acredita que, com as investigações, será possível constatar a existência de um número ainda maior de envolvidos. A lista inclui nomes de assessores de parlamentares que podem ter atuado como intermediários dos repasses irregulares de dinheiro, como a mulher e uma funcionária do líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR).

Como frisou o relator, a lista dos funcionários pode ajudar a confirmar novos nomes de deputados que teriam sido beneficiados com o esquema.

– A expectativa é essa, pois existem ainda muitos recursos que não tivemos oportunidade de identificar. Existem saques e, já que falamos que pelo menos 40 ou 50 parlamentares estariam envolvidos, é possível que algum assessor tenha participado de saques ou remessas e que possamos comprovar – disse.

O relator confirmou que, ao fazer o cruzamento das informações, descobriu-se, por exemplo, que Stael Fernanda Rodrigues Janene, mulher de Janene, e outra funcionária do gabinete do parlamentar trabalhavam como servidoras comissionadas da Câmara na época em que seus nomes apareceram na movimentação financeira do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza. Serraglio não quis dizer quais outros nomes já foram confirmados nem os valores envolvidos.

– Não sou da sub-relatoria de vazamentos – brincou.

A lista analisada pela CPI – a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), espécie de censo do Ministério do Trabalho – foi fornecida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) há cerca de 15 dias. Os dados estão sendo cruzados com as informações sobre a movimentação bancária de Valério por meio do I2 – programa utilizado pela polícia britânica que foi comprado pela comissão. Se as informações sobre funcionários levarem a outros parlamentares contra os quais ainda não existem provas de envolvimento no recebimento ilegal de dinheiro, Osmar Serraglio adiantou que nova lista com nomes de parlamentares pode ser enviada ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.