CPMI do Cachoeira ouve jornalista que trabalhou na campanha de Perillo

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Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2012 as 06:44, por: cdb

Luiz Carlos Bordoni afirma que parte do pagamento foi feito com cheque de empresa fantasma que, segundo a PF, seria usada pelo esquema de Cachoeira para lavar dinheiro da empreiteira Delta.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados prossegue hoje os depoimentos relacionados ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Estavam previstos três depoimentos, mas provavelmente ocorrerá apenas um, o do jornalista Luiz Carlos Bordoni, que fez a campanha de rádio do governador. A ex-chefe de gabinete de Perillo Eliane Gonçalves Pinheiro obteve na Justiça o direito de permanecer em silêncio, e o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, enviou um atestado médico à comissão e não deverá comparecer.

Bordoni
Bordoni afirmou, em entrevista à imprensa, que seu trabalho na campanha foi pago com dinheiro da Alberto & Pantoja Construções. Segundo a PF, a Alberto & Pantoja é uma empresa de fachada de Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro da empreiteira Delta Construções S.A.

Parte do pagamento, no valor de R$ 45 mil, foi feito em um depósito na conta da filha do radialista, Bruna Bordoni, que já trabalhou no gabinete do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O jornalista também afirmou que outra parte do pagamento foi feita diretamente por Perillo.

O governador goiano negou o fato por meio de nota oficial, informando que “jamais fez pagamentos a quem quer que seja” e que sempre recebeu jornalistas em seu escritório, incluindo Bordoni, mas para conversas sobre temas políticos da época. Bordoni está sendo processado por Perillo.

Outros convocados
Jayme Rincón, que foi tesoureiro da campanha de Perillo ao governo do estado em 2010, foi citado em ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF). Segundo as investigações, foram depositados R$ 600 mil pelo grupo de Cachoeira na conta da empresa Rental Frota Ltda., que tem Jayme como um dos sócios, com 33% de participação. A Rental já confirmou o pagamento, mas diz que se refere à venda de 28 veículos usados. Na primeira vez em que foi convocado, em 30 de maio, Jayme também alegou problemas de saúde para não comparecer.

Eliane Gonçalves Pinheiro é acusada de repassar informações sobre operações policiais. Segundo a PF, ela avisou Geraldo Messias, prefeito de Águas Lindas (GO), que agentes fariam uma operação de busca na casa dele numa operação de combate a fraudes contra a Receita Federal em Goiás. Logo que as denúncias vieram à tona, ela pediu exoneração. Ela conseguiu habeas corpus para ter o direito de permanecer em silêncio sem sofrer constrangimentos e também alegou problemas de saúde para não comparecer.

Da Redação/WS