CPI do Banestado ouvirá ex-mulher de Celso Pitta

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Publicado terça-feira, 16 de setembro de 2003 as 10:48, por: cdb

Na reunião desta terça-feira, às 11 horas, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga a evasão de divisas do país por meio de contas CC-5 (CPI do Banestado) deverá ouvir o depoimento de Nicea Camargo, ex-mulher do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Ela foi convidada a pedido da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) e deverá esclarecer denúncias feitas por ela mesma de envolvimento de agentes públicos na remessa ilegal de recursos para paraísos fiscais.

No último dia 20 de agosto, a CPI do Banestado colheu o depoimento do ex-coordenador administrativo-financeiro da construtora Mendes Júnior em São Paulo, Simeão Damasceno de Oliveira, considerado a principal testemunha ouvida pelo Ministério Público paulista no inquérito que apura o superfaturamento de obras públicas no município e o possível recebimento de propinas por Pitta e pelo ex-prefeito Paulo Maluf.

Simeão Damasceno deu, em seu depoimento, detalhes sobre o esquema de pagamento de propinas pela Mendes Júnior em obras superfaturadas, como a da avenida Águas Espraiadas, em São Paulo. Segundo o ex-funcionário da construtora, essa obra, que deveria ter custado cerca de R$ 250 milhões, saiu por quase R$ 800 milhões. A audiência pública com Nicea Pitta será realizada na sala 3 da Ala Senador Alexandre Costa, no Anexo II do Senado Federal.

Integrantes da CPI voltaram há pouco de viagem oficial a Nova York, onde foram levantar dados sobre as contas correntes do Banestado na agência daquela cidade utilizadas para evasão de divisas do Brasil, por meio das chamadas contas CC-5.

A Procuradoria de Justiça de Manhattan, em Nova York, colocou à disposição dos integrantes da CPI 270 caixas de documentos com toda a movimentação bancária da agência do Banestado daquela cidade. O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), recebeu ainda da Receita Federal norte-americana uma relação de 170 brasileiros que possuem bens em valores superiores a US$ 800 mil nos Estados Unidos e que não constam em suas declarações de renda brasileiras.