CPI do Banestado convoca ex-mulher de Pitta para acareação

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Publicado sexta-feira, 17 de outubro de 2003 as 14:45, por: cdb

A ex-mulher do prefeito de São Paulo Celso Pitta, Nicéia Camargo, foi convocada na manhã desta sexta-feira pelo presidente da CPI mista do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MS), para uma acareação com a funcionária do Banco Cidade, Sheila Abad, que depôs hoje na comissão. Nicéia já está a caminho da Assembléia Legislativa de São Paulo, local onde a CPI mista do Banestado está realizando seus trabalhos nessa semana, para fazer a acareação com a funcionária do Banco Cidade.

No depoimento que prestou nesta manhã , Sheila Abad disse que se encontrou duas vezes com o ex-prefeito na residência dele, para tratar de um financiamento para a Prefeitura, que acabou não sendo aprovado. Porém, negou que fosse a responsável pelo envio das remessas de dinheiro para uma conta conjunta de Pitta e Nicéia no exterior, conforme disse a ex-mulher de Pitta em depoimento prestado à CPI no mês passado.

Por causa da dúvida em relação ao depoimento da funcionária do Banco Cidade, o senador Paes de Barros telefonou para Nicéia Camargo e ela se propôs a comparecer na CPI para confrontar sua posição com a de Sheila Abad.

Além da funcionária do Banco Cidade, a CPI também ouviu o rápido depoimento do proprietário do Leona Pizza Bar, Renato Lanzuolo Filho e o do empreiteiro Ricardo Augusto da Costa, que segundo os parlamentares que compõem a CPI, decidiram reaparecer, acompanhado de advogados, depois da imprensa divulgar que eles estavam sumidos.

O empreiteiro que participou das obras da Avenida Águas Espraiadas, através da empresa Costaça, que depõe no início dessa tarde, pediu para prestar suas informações em sigilo, sem a presença da imprensa. Já o empresário Lanzuolo confirmou que uma conta em seu nome, no Ocean Bank, de Miami, chegou a movimentar cerca de US$ 30 milhões, mas disse que essa conta estava “alugada” para o argentino Reinaldo Del Rio.

Conta alugada

O dono da pizzaria contou que conheceu Del Rio durante uma viagem aos EUA, no início dos anos 90, e decidiu abrir essa conta e alugá-la para o argentino, em troca de uma comissão de 0,2 a 0,3%. Lanzuolo disse que recebeu, no período de 92 a 97, cerca de US$ 60 mil por esse aluguel e afirmou não ter mais notícias sobre o paradeiro do argentino. “Fui um laranja nessa história”, destacou ele na CPI. O senador Antero Paes de Barros considerou a história inverossível e, por isso, decidiu interromper o depoimento e dar uma outra chance ao empresário “para ele pensar melhor e reavaliar sua versão dos fatos”.