CPI: Chinês diz que delegado comprava brinquedos para distribuir aos pobres

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Publicado terça-feira, 11 de novembro de 2003 as 22:44, por: cdb

O chinês naturalizado brasileiro Law Kin Chong, acusado de ser um dos maiores contrabandistas do país pela CPI da Pirataria, da Câmara Federal, afirmou nesta terça-feira, em São Paulo, que o delegado da Polícia Federal José Augusto Bellini comprava os seus produtos a preços baixos, com o objetivo de distribuí-los a crianças pobres no final do ano.

Segundo Chong, Bellini, delegado-chefe do setor de passaportes em São Paulo, que foi preso na operação Anaconda, é seu amigo. Por isso, ele aceitaria fazer bons preços para o policial. O suspeito disse que almoça com freqüência com o delegado. A operação investiga um esquema de corrupção envolvendo policiais e três juízes federais acusados de vários crimes, como a venda de sentenças.

Apesar de dizer que costuma conversar com Bellini, o chinês, dono de três shoppings (um deles na Rua 25 de Março), negou que seja dele a voz registrada em uma fita apresentada pela CPI. Em uma conversa telefônica, ele e Bellini conversariam sobre uma “carruagem”, interpretada como uma oferta feita a autoridades.

Chong ainda fez um comentário durante a sessão da CPI, que está na Assembléia Legislativa nesta terça-feira, que foi interpretado como uma tentativa de suborno, o que desagradou o presidente da comissão, o deputado Luiz Antônio de Medeiros. O chinês disse que poderia vender seus produtos a preços mais baixos, se os parlamentares também os distribuíssem para crianças pobres.

Munido de liminar concedida pelo ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, o chinês conseguiu que seu depoimento não fosse gravado ou registrado por câmeras.

Os membros da CPI querem avaliar as ligações entre Chong e os presos pela operação deflagrada pela Polícia Federal, entre eles, o juiz João Carlos da Rocha Mattos, em prisão preventiva desde sexta-feira. Mattos é acusado de chefiar uma quadrilha que facilitaria o contrabando.