Corrida por palanques marca o início da campanha

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Publicado domingo, 9 de abril de 2006 as 15:25, por: cdb

De um lado, um presidente carismático, que tem diálogo direto com a metade mais pobre da população do país, mas chefia um governo abalado por uma série de escândalos que o afastaram de seus melhores estrategistas. Ele tem uma máquina de ação governamental extremamente poderosa nas mãos, mas não confia na capacidade de seus operadores e anda desconfiando também da própria intuição, que sempre teve como ponto forte de sua habilidade política.

De outro lado, uma oposição desesperada para voltar ao poder, que apostou muito alto no desgaste moral do governo, mas não conseguiu abater o alvo principal. Os partidos que a lideram foram compelidos a apostar em uma candidatura de maior risco, que foi colocada contra a parede logo na arrancada, insinuando um ambiente de intrigas que pode minar a unidade necessária para enfrentar um presidente popular no poder.

No centro, um partido comandado por caciques regionais, que enxergam a disputa nacional como escora para fortalecê-los nos embates locais e estimulam candidaturas presidenciais para aumentar seu poder de barganha, tirando proveito da polarização no embate principal. Eles têm a maior estrutura partidária do país, mas não conseguem impor essa vantagem no plano nacional por falta de identidade em torno de um projeto. Suas alianças nacionais são táticas de contraposição às desavenças regionais.

Na periferia do cenário principal, um grupo expressivo de partidos que tentam preservar suas identidades, ameaçadas por uma cláusula de barreira difícil de superar. Para vencer o obstáculo eles precisam fortalecer suas alianças locais, o que compromete a formalização de acordos nacionais, por causa do veto à formação de coligações estaduais em desacordo com as coligações nacionais (a chamada verticalização das campanhas), mantido pelo Poder Judiciário.

O dilema do PMDB

Em linhas gerais, esse é o quadro da disputa eleitoral nesta fase preliminar da campanha. Nos próximos 30 a 40 dias, ainda haverá esforço intenso na tentativa de compatibilizar os palanques regionais com as coligações nacionais. Depois disso, será praticamente impossível alterar a dinâmica da disputa local. “Não é possível ignorar o que está acontecendo nos estados. Enquanto alguns estão tratando de ficção, a realidade política é outra. Se a eleição fosse no próximo ano dava para continuar brincando. A geografia do partido mostra que as alianças negociadas nos estados estão em conflito com o projeto nacional”, argumentou o ex-presidente do PMDB, deputado Jader Barbalho (PA) na reunião da direção do partido realizada nesta quarta-feira, em Brasília.

Ele e outros caciques do PMDB mais afinados com o governo Lula queriam realizar uma Convenção em 7 de maio para oficializar a decisão sobre o lançamento de candidatura própria à Presidência. Na verdade, o intuito deles é tirar do páreo a candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. Os caciques do PMDB ficaram muito contrariados ao ver o pré-candidato, cristão-novo no partido, negociando possíveis alianças com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia entrou no circuito para colocar na sala a candidatura do ex-presidente Itamar Franco como uma alternativa a Garotinho. “Tenho convicção de que o Itamar será candidato”, sustenta Quércia, argumentando que PDT e PPS estariam dispostos a apoiar essa candidatura. Por intermédio do deputado Marcelo Siqueira (PMDB-MG), que Itamar indicou para ministro do governo Lula, mas não foi atendido, o ex-presidente e ex-governador de Minas mandou avisar que topa.

Garotinho ficou transtornado, disse na reunião que ninguém ali tinha moral para vetá-lo, contestou a veracidade da candidatura Itamar e avisou que recorrerá à Justiça, se necessário, para ter o direito de disputar a candidatura na Convenção oficial de junho. “Não sou palhaço. Andei o Brasil inteiro e apesar da polarização e do cerco da mídia, tenho 15% da preferê