Corpos lembram dura tarefa após três semanas do tsunami

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Publicado domingo, 16 de janeiro de 2005 as 11:21, por: cdb

Três semanas depois do tsunami na Ásia, as pessoas da região e de longe da área atingida fizeram uma pausa para relembrar os mortos, mas centenas de corpos em decomposição mostram o quanto ainda precisa ser feito para que os sobreviventes possam seguir adiante.

A Austrália, que fez um dia de luto, marcou um minuto de silêncio, ao lado na Nova Zelândia, exatos 21 dias depois que o maremoto desencadeou as ondas mais letais conhecidas até hoje –que mataram pelo menos 168 mil pessoas ao redor do Oceano Índico.

Na aldeia de Seruthur, no sul da Índia, o pescador Mariappan jogou água ao redor de uma muda de coqueiro perto do mar que tem o nome de sua esposa morta na tragédia, Thangaponnu.

“A planta me faz lembrar dela”, disse o pescador de 60 anos de idade, que também perdeu a filha e cinco netos.

“Vou cuidar dela”, acrescentou. “Ela foi enterrada em uma sepultura coletiva e não há nada para lembrar sua morte. Pelo menos esta planta marca um ponto.”

A muda é uma das dezenas plantadas na praia na semana passada, cada uma com um nome, no “Jardim dos Mortos no Tsunami”, que representa um escudo caso o mar volte a subir.

O Programa Mundial de Alimentação disse que ajuda depois do desastre pode cortar a desnutrição a longo prazo em países como Sri Lanka, onde 30 mil pessoas morreram e uma em cada três crianças tem pouco para comer.

O programa está alimentando 1,2 milhão de sobreviventes, de Sumatra até a Somália, sendo a maioria no Sri Lanka.

O diretor-executivo do programa, James Morris, disse à Reuters estar confiante de que a comida esteja chegando à maioria das pessoas que ficou sem alimentos nos últimos dias.

“Suspeito que a desnutrição esteja um pouco mais alta, mas também haverá um esforço mais intenso para ver que cada criança seja alimentada, então isso deverá ter um efeito positivo –pode haver um conforto aqui, um conforto muito pequeno.”

Na Indonésia, onde morreram dois de cada três vítimas do tsunami de 26 de dezembro, o número de mortos cresceu em 5 mil, chegando a 115.229, depois que mais corpos foram recuperados na costa oeste da província de Aceh. Mas somente 85 mil foram enterrados de maneira apropriada.

Na cidade de Lhok Nga, onde a atividade pesqueira era intensa, ainda há corpos jogados na praia.

“São necessários desesperadamente mais voluntários e instalações para nos ajudar a retirar os corpos e os destroços”, disse o morador Ahmad Syuhada.

“Vi cachorros comendo restos humanos. É horrível”, afirmou, enquanto um corpo boiava no estuário perto da ponte caída da cidade, a somente 20 quilômetros da central de ajuda em Banda Aceh, capital da província.