Corpos indígenas serão exumados pelo IML

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Publicado terça-feira, 7 de novembro de 2006 as 10:14, por: cdb

Uma equipe de legistas do Instituto Médico Legal (IML) fará a exumação de corpos de jovens indígenas que se suicidaram em São Gabriel da cachoeira, 858 km oeste de Manaus,
por determinação da Polícia Civil do Amazonas.

Dez jovens com idades entre 13 e 19 anos cometeram suicídio por enforcamento nos últimos 11 meses. Outros 20 tentaram suicídio durante esse período. A última morte foi registrada na última quinta-feira: depois de ter ingerido bebida alcoólica,  um rapaz de 19 anos, da etnia baré, se enforcou. Não se sabe o que teria levado esses jovens a essa seqüência de suicídios e de tentativas.

De acordo com o delegado Alberto Petrônio de Carvalho, diretor de Polícia do Interior, a equipe de legistas será coordenada por um delegado e esta semana viaja para São Gabriel da Cachoeira. Também serão realizados exames toxicológicos, para detectar se os índios
consumiram bebida alcoólica e drogas em excesso.

– A exumação é aconselhável sempre que existe a possibilidade de que pode ter ocorrido um homicídio, e não suicídio. A autoridade policial tem que analisar todos esses aspectos, afirmou Carvalho.

São Gabriel da Cachoeira está localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela, numa das regiões mais remotas do Amazonas. Cerca de 90% dos 35 mil habitantes, são indígenas.

Uma pesquisa do Instituto Socioambiental (ISA) afirma que na zona urbana há 2.831 habitações de indígenas. Eles migraram por causa da falta de escolas, trabalho e serviços de saúde nas aldeias.

A Polícia Civil fez um relatório que aponta como fator dos suicídios o quadro de crise social encontrados pelos jovens na cidade. Esses jovens seriam vítimas de alcoolismo, do desemprego, da desestruturação familiar, da miséria e da ociosidade. No dia 19 de outubro uma menina de 14 anos suicidou-se depois de ter dito para sua mãe que “não agüentava tanta miséria”, conforme depoimento na delegacia local.

Existe um suspeito de induzir os jovens indígenas ao suicídio, de acordo com um dos dez inquéritos abertos sobre esses casos. O suspeito não foi indiciado por falta de provas, mas seria um homem adulto, membro de uma seita que fazia rituais dentro dos cemitérios da cidade.

– Uma busca e apreensão na casa dele foi determinada pela Justiça, mas nada foi encontrado, disse o delegado Prudêncio Brisolla Corrêa