Coréia do Norte se sente pressionada e alerta para perigo de conflito

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 09:40, por: cdb

A Coréia do Norte advertiu nesta terça-feira que as pressões dos Estados Unidos para que ela “se ajoelhe” só poderão resultar em “um confronto inevitável” e voltou a solicitar negociações com Washington para acabar com a crise desencadeada por seu programa nuclear.

“A crescente pressão sobre a RDPC [República Democrática Popular da Coréia] para colocá-la de joelhos só tornará inevitável um confronto”, afirmou o jornal oficial “Rodong Sinmun”.

“Se os Estados Unidos recorrerem finalmente à opção militar, rejeitando a proposta da RDPC de negociações diretas, isso levará a uma situação catastrófica”, disse.

O jornal reitera que a crise nuclear não é uma questão que deva ser resolvida em um marco multilateral, como exige Washington. “Mas é possível chegar a uma solução se a RDPC e os Estados Unidos se sentarem frente à frente para uma discussão sincera”, afirmou.

Enquanto Washington protestava oficialmente pela recente interceptação de um avião espião americano por aparelhos de combate norte-coreanos, o último incidente de uma longa série entre os dois países, o jornal oficial do regime stalinista voltou a exigir negociações diretas para evitar uma catástrofe, depois de cinco meses de atritos pela questão nuclear.

Pyongyang conta com o respaldo da China para seu pedido de negociações diretas com os Estados Unidos.

O presidente chinês, Jiang Zemin, declarou a seu colega norte-americano que a sinceridade tem mais importância no diálogo com a Coréia do Norte, disse nesta terça-feira a agência de notícias Nova China.

“A chave é a sinceridade entre as duas partes e um diálogo substancial que produza resultados”, afirmou Jiang durante o encontro, realizado segunda-feira.

Os Estados Unidos continuam rejeitando a forma de negociações proposta pela Coréia do Norte para não dar a impressão de ceder a uma chantagem com armas nucleares. Washington exige como condição prévia que Pyongyang desista de suas ambições nucleares e que sejam realizadas discussões a nível regional, com a participação de Rússia, China, Coréia do Sul e Japão.