Coréia do Norte se irrita com satélites espiões do Japão

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Publicado sexta-feira, 28 de março de 2003 as 13:37, por: cdb

O Japão lançou um foguete carregando seus dois primeiros satélites espiões.

O lançamento marca o início de um programa de coleta de informações estimulado, em parte, pelo fato de a Coréia do Norte ter disparado um míssil balístico de longo alcance sobre o Japão em 1998.

O foguete decolou às 22h27 (horário de Brasília) na quinta-feira, da ilha de Tanegashima, que fica ao sudoeste de Tóquio.

A Coréia do Norte classificou os dois satélites japoneses como “uma grande ameaça”.

Segurança reforçada

Os satélites são os primeiros de pelo menos quatro do programa de espionagem que tem um orçamento de US$ 2,05 bilhões (cerca de R$ 7,175).

Cientistas agora esperam para ver se os satélites vão atingir a órbita planejada.

A segurança foi reforçada no centro espacial japonês por temores de que houvesse um ataque terrorista ou manifestações. A polícia de choque bloqueou as ruas vizinhas, enquanto helicópteros patrulhavam o céu.

Também houve temores de que o mau tempo pudesse atrasar o lançamento, mas tudo ocorreu conforme o planejado.

Até agora, os Estados Unidos estavam coletando informações para o Japão. Esses satélites têm o objetivo de dar ao Japão capacidade de vigilância independente.

O Japão está especialmente preocupado com os mísseis Taepodong coreanos, que são capazes de atingir qualquer ponto do país.

O país também quer monitorar o programa nuclear norte-coreano.

Autoridades japonesas enfatizaram que os satélites podem ser usados ainda para monitorar desastres naturais.

Os satélites, que devem ficar em uso por cinco anos, devem permanecer em órbita a uma altura entre 400km e 600km.

Míssil

A Coréia do Norte alertou que também pode lançar satélites.

O país diz que pôs seu primeiro satélite em órbita em 1998, embora essa afirmação nunca tenha sido comprovada.

Autoridades japonesas dizem que a Coréia do Norte pode estar se preparando para disparar outro míssil.

O analista militar japonês Hajime Ozu disse à agência de notícias Associated Press que acredita que a Coréia do Norte tome essa atitude para irritar o Japão e os Estados Unidos, que são considerados uma ameça.

“Para a Coréia do Norte, o disparo de um míssil significa uma maneira de reforçar o patriotismo em casa e de lançar um alerta aos Estados Unidos. É uma das poucas táticas diplomáticas que a Coréia do Norte ainda tem”, afirmou.