Coréia do Norte pode produzir bombas atômicas, diz EUA

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 09:25, por: cdb

O secretário-assistente de Estado dos Estados Unidos, James Kelly, afirmou que o programa de enriquecimento de urânio da Coréia do Norte poderia estar a apenas alguns meses do início da produção de material que poderia ser usado em armas nucleares.

De acordo com os americanos, os norte-coreanos poderiam começar em breve a transformar combustível nuclear em plutônio – o que representa parte do processo para se produzir bombas atômicas.

O correspondente da BBC no departamento de Estado americano, Jon Leyne, afirmou que alguns integrantes da administração americana acreditam que a Coréia já tenha uma ou duas bombas nucleares.

Ainda de acordo com os Estados Unidos, essas informações significariam que os norte-coreanos teriam um programa de armas nucleares muito mais avançado do que se acreditava anteriormente.

Linha de produção

Kelly diz também que alguns especialistas acreditam que o país poderia, em breve, ter uma linha de produção para construir uma bomba por mês.

James Kelly foi o responsável por deflagrar a atual crise entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte ao acusar os norte-coreanos, em outubro passado, de retomarem o programa nuclear do país.

Na quarta-feira, ele alertou o comitê para Relações Internacionais do Senado de que o programa de enriquecimento de urânio da Coréia do Norte já não está mais “distante” no tempo.

O secretário-assistente admitiu também que a maior parte dos aliados americanos na Ásia vêm pedindo que o país inicie negociações diretas com a Coréia do Norte.

Mas, apesar de o governo de Pyongyang insistir em conversas bilaterais, a administração do presidente George W. Bush mantém sua política de aceitar apenas conversas multilaterais, alegando que as pretensões nucleares da Coréia do Norte dizem respeito ao resto do mundo também, não só aos americanos.

Kelly afirmou que, para os Estados Unidos se envolverem em negociações bilaterais com a Coréia, seria necessário que o país acabasse com o seu programa nuclear militar e que se enquadrasse em outros padrões exigidos pelos americanos sobre armas de destruição em massa, tropas militares e direitos humanos.

Poucas esperanças

No entanto, ele acrescentou ter pouca esperança de que os norte-coreanos aceitarão as exigências de desarmamento dos Estados Unidos.

“Não há o menor vestígio de que eles tenham qualquer intenção de parar a produção de armas”, disse.

A Coréia do Norte quer negociações diretas com os americanos para resolver o impasse nuclear, mas os Estados Unidos dizem que um processo multilateral seria mais produtivo.

Fontes americanas já afirmaram que vão reiniciar os vôos de reconhecimento sobre o país, suspensos depois que quatro aviões de caça coreanos interceptaram um avião-espião americano a cerca de 240 quilômetros da costa do país.

Representantes do governo americanos acreditam que o objetivo era forçar o avião a pousar na Coréia do Norte para tomar a tripulação como refém.

Conseqüentemente, os americanos estão tomando precauções especiais para o reinício dos vôos.

Além dos aviões de reconhecimento, os americanos deslocaram 24 bombardeiros B-1 e B-52 para a Ilha de Guam, no oeste do Pacífico.

Segundo comentaristas, a presença dos aviões seria um claro aviso aos norte-coreanos de que os Estados Unidos não vão tolerar o que consideram “comportamento provocativo”.