Copom deve manter taxa de juros em 25% ao ano

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Publicado domingo, 19 de janeiro de 2003 as 23:18, por: cdb

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na terça e na quarta pela primeira vez no governo do PT, com o Banco Central (BC) sob o comando de Henrique Meirelles. A expectativa da maior parte dos analistas é de que os juros básicos sejam mantidos em 25% ao ano, uma vez que o câmbio e o risco país recuaram desde o último encontro da instituição e a inflação tem perdido fôlego.

Alguns analistas, no entanto, ainda defendem mais um aumento da Selic, por entender que os índices de preços e as expectativas de inflação do mercado continuam em níveis elevados. E, para alguns, o Copom deve elevar a Selic também para que o novo presidente do BC estabeleça desde já uma reputação de austeridade na condução da política monetária. Há ainda quem defenda um corte dos juros, mas essa é uma posição minoritária entre os analistas.

O recente recuo do dólar é um dos principais motivos que levam muitos economistas a acreditar na manutenção da Selic. A moeda, que estava em R$ 3,60 na reunião de dezembro do Copom, oscilou boa parte deste mês na casa de R$ 3,30, apesar de ter fechado sexta-feira em R$ 3,375, por causa da tensão no cenário externo. O economista-chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman, ressalta que a queda do dólar tem um impacto favorável sobre os preços dos bens comercializáveis internacionalmente (conhecidos como tradables), mais sensíveis à variação do câmbio. Os preços no atacado e os agrícolas, por exemplo, já começam a perder força.

Ele entende ainda que, como os juros subiram de 18% para 25% ao ano desde outubro, seria recomendável o BC esperar um pouco mais para verificar o impacto desse forte aperto monetário sobre o nível de atividade. Com uma demanda mais fraca, os preços dos bens não comercializáves internacionalmente, que não são afetados diretamente pelo câmbio e começaram a subir mais a partir de novembro, podem ter um alívio.

O economista-chefe da LCA Consultores, Luís Suzigan, também defende a manutenção da Selic. Além do recuo do dólar, ele ressalta que a inflação está em queda. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, escolhido para o regime de metas inflacionárias, ficou em 2,1% em dezembro, ante 3,02% em novembro, enquanto primeira prévia de janeiro do IGP-M da FGV ficou em 1,34%, bem abaixo dos 2,61% registrados no mesmo período de dezembro.

Embora entenda que um aumento da Selic não é necessário, Suzigan diz que, se o risco de um conflito no Oriente Médio pressionar o câmbio com mais força, o Copom pode se sentir “encorajado” a aumentar os juros, porque “um repique do dólar poderia levar a um repique da inflação”. “Mas ainda aposto na manutenção da Selic.”

O analista Antonio Madeira, da MCM Consultores Associados, por sua vez, defende um aumento de até um ponto porcentual da Selic. Para ele, os índices de preços continuam em níveis muito elevados, assim com as expectativas de inflação do mercado coletadas semanalmente pelo BC, que apontam um IPCA de 11,23% neste ano. Além disso, Madeira diz que, mesmo com o recuo do câmbio, a inflação projetada pelo modelo do BC deve continuar bastante alta. No relatório de inflação de dezembro, a autoridade monetária estimava um IPCA de 9,5% para 2003, considerando um câmbio de R$ 3,55 e juros de 25% ao ano. Com um dólar na casa de R$ 3,30, o modelo do BC deve apontar uma inflação de 9%, diz Madeira. É um número muito acima da meta oficial, de 4%, com tolerância de 2,5 pontos porcentuais, e, tudo indica, da nova meta ajustada a ser perseguida pelo Copom, que a MCM estima em 7,4% (a última meta ajustada divulgada pelo BC era de 6%). Esse alvo ajustado leva em conta o impacto dos choques de custos (ou de oferta), como a forte depreciação cambial de 2002, além de diluir o efeito inercial dos choques em dois anos. O objetivo do BC, com isso, é não impor um custo muito elevado em termos de nível de atividade ao tentar cumprir as metas.

Para analistas como Schwartsman, o fato de o BC usar o conceito de alvo ajustado e ter decidido fazer a conver