Conselho de Segurança vai discutir a guerra no Iraque

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 10:53, por: cdb

O Conselho de Segurança das Nações Unidas marcou para esta quarta-feira o primeiro debate aberto sobre o conflito no Iraque. No grêmio máximo da ONU, em Nova York, os representantes dos 191 países membros terão oportunidade de manifestar sua posição sobre a guerra no Golfo. Antes do início dos debates, o Conselho de Segurança pretende decidir sobre um amplo programa de ajuda humanitária para o Iraque.

Um alto assessor do Pentágono acusou as Nações Unidas e organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de não estarem mais em condições de garantir a segurança no século 21. “Quando acabar a guerra no Iraque, precisaremos debater como as democracias ocidentais irão garantir sua segurança coletiva”, disse Richard Perle numa entrevista concedida ao jornal Berliner Zeitung, da capital alemã.

Ele rejeitou ao mesmo tempo as críticas de que os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Iraque sem um mandato das Nações Unidas. “No conflito na Bósnia aconteceu o mesmo. Foi necessário que os EUA assumissem a liderança, pois a União Européia e as Nações Unidas haviam fracassado”, acusou Perle.

Segundo ele, os Estados Unidos não são fãs da guerra, “mas a questão é que não queremos ficar nos sentindo ameaçados, como o Iraque fez conosco”. Perle justifica que ninguém pode tirar dos EUA o direito à autodefesa, garantido pelo artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

Direito de liberdade de opinião

O mentor da atual política norte-americana para o Oriente Médio considera ainda que outras nações têm o direito de terem opiniões próprias, mas não poderiam ter direito de veto. O Conselho de Segurança não é a única fonte de legitimação de ações militares, defendeu Richard Perle, que concluiu: “Vamos ganhar esta guerra e os próprios iraquianos dirão que foram libertados.”

A explosão de um míssil numa zona comercial de Bagdá, nesta quarta-feira, causou muitas vítimas entre a população civil. Na terça-feira, teriam acontecido, ao sul de Bagdá, os combates mais acirrados desde o início do conflito.

Não foi confirmado se os combatentes do lado iraquiano eram soldados de Saddam Hussein, se pertenciam à milícia paramilitar ou se se tratava de correligionários armados do partido do governo. Além disso, a ajuda humanitária já começou a ser distribuída à população iraquiana em Umm Qsar.

O suposto levante da população em Basra, anunciado por fontes militares britânicas, foi negado pela emissora árabe de televisão Al Jazeera. A cidade foi cercada há vários dias por tropas britânicas. Enquanto isso, prossegue a marcha dos soldados em direção a Bagdá. Na terça-feira, o avanço foi atrasado por fortes tempestades de areia.

A capital do Iraque voltou a ser alvo de intensos bombardeios na madrugada desta quarta-feira, conforme relatos de correspondentes de agências de notícias e pelo Al Jazeera. A secretaria da Defesa confirmou em Washington que o principal objetivo dos ataques foram instalações usadas para telecomunicações e emissoras de televisão. Depois de algum tempo fora do ar, a tevê estatal iraquiana prosseguiu transmitindo sua programação normal.

Bush e Blair satisfeitos

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o premiê britânico, Tony Blair, declararam-se satisfeitos com o desenvolvimento das operações militares. Bush declarou em Washington que os aliados estão fazendo “progressos constantes”.

Segundo Blair, a guerra transcorreu nos primeiros cinco dias “exatamente de acordo com os planos”. Num encontro em Camp David, nesta quarta-feira, os dois chefes de governo vão deliberar sobre a estratégia militar nas próximas etapas e a reconstrução do Iraque no pós-guerra. Também o primeiro-ministro australiano foi convidado, mas John Howard não vai participar da reunião. A Austrália colocou 2 mil soldados à disposição da aliança anglo-norte-americana.

Preocupação com a ajuda humanitária

Dois ministros alemães manifestaram na terça-feira preocupação com a situação da população no Iraque. Em pronunciamento perant