Conselho de Segurança da ONU discute crise no Oriente Médio

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 02:25, por: cdb

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu em caráter de emergência para discutir a decisão israelense de cortar relações com o líder palestino Yasser Arafat. A reunião está sendo realizada após um pedido das nações árabes e dos palestinos, sendo que a Tunísia anunciou que está planejando introduzir um projeto de resolução pedindo que pare toda a violência e que os dois lados retornem as posições que tinham antes de setembro.

Mais cedo, em Washington, o secretário de Estado americano, Collin Powell, disse que a situação estava piorando no Oriente Médio, mas que os Estados Unidos não iriam desistir de continuar tentando uma solução. Powell afirmou que Arafat ainda tem a autoridade que lhe foi concedida pelo povo palestino, e que os Estados Unidos continuam mantendo relações com ele.

Já o Vaticano fez um pronunciamento afirmando que nunca haverá paz no Oriente Médio antes de Israel deixar os territórios ocupados, permitindo a criação do estado palestino.

Durante a quinta-feira, helicópteros Apache do Exército israelense lançaram ao menos quatro mísseis contra uma delegacia de polícia na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Ainda não se sabe se houve ou não vítimas nos ataques, que causaram quedas de energia em Ramallah e na cidade vizinha de El Bireh.

O Exército de Israel atacou também escritórios da organização Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, na cidade de Jenin, também na Cisjordânia e ataques israelenses também aconteceram na cidade de Gaza. Segundo o correspondente da BBC no local, helicópteros e caças F-16 sobrevoaram a cidade e um escritório de Arafat teria sido atingido.

Tropas israelenses também fizeram disparos na região da fronteira do país com o Egito, atingindo na cabeça Rami Zurob, um menino palestino de 13 anos. Ele ainda foi levado com vida para um hospital na cidade de Gaza, mas não resistiu aos ferimentos. A ação militar de Israel em Ramallah aconteceu após tanques israelenses terem entrado na cidade e se posicionado próximo aos escritórios de Yasser Arafat na cidade.

Soldados israelenses usaram ainda escavadeiras para demolir uma rádio palestina e uma estação de TV e tropas de Israel também atacaram hoje a casa de Marwan Barghouthi, um líder da organização Fatah, de Yasser Arafat, e uma das principais lideranças palestinas.

Lideranças palestinas pediram que nações internacionais pressionem Israel para que o país ponha fim à ofensiva de Israel. Os Estados Unidos e a União Européia vão continuar reconhecendo a autoridade de Yasser Arafat apesar de Israel ter rompido relações com o líder palestino.

“Nós consideramos o presidente Arafat como líder do povo palestino”, disse o secretário-assistente de Estado americano, William Burns, na Síria, enquanto Javier Solana, o responsável pela política externa da União Européia, endossou as declarações de Burns, ao chegar a Bruxelas de sua viagem pelo Oriente Médio,

Segundo Israel, o papel de Arafat é “irrelevante”, uma vez que o líder teria se mostrado incapaz de controlar grupos extremistas palestinos. O novo ciclo de violência tornou ainda mais improvável o êxito da missão do enviado especial americano Anthony Zinni à região. Ele buscava promover a retomada das negociações de paz entre palestinos e israelenses.

O secretário-assistente de Estado americano, William Burns, garantiu que os Estados Unidos continuarão a trabalhar com a liderança palestina que, segundo ele, terá que fazer “escolhas muito difíceis e tomar medidas contra grupos extremistas que ameaçam os interesses do povo palestino”.