Congresso denuncia tentativa de golpe contra Evo Morales

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Publicado sábado, 14 de outubro de 2006 as 14:47, por: cdb

O Congresso Bolivariano dos Povos denunciou, neste sábado, a existência de um plano conspiratório contra o governo nacional boliviano, do presidente indígena Evo Morales. Setores dos cooperativistas se uniram sob interesse da minaradores médios para protagonizar, em Oururo, atos com o objetivo de hostilizar os trabalhadores da Corporação Mineira da Bolívia (Comibol). No último dia 5, tomaram violentamente Posokoni, deixando mais de uma dezena de mortes e, pelo menos, 50 feridos, vítimas do uso de dinamites e armas de fogo pelos dois setores.

Segundo informações da Rede da Solidariedade e Amizade Mundial e da Agência Walsh, o Congresso lança uma campanha internacional pedindo que sejam enviadas adesões e assinaturas ao e-mail solidaridad@congresobolivariano.org, apoiando o governo de Morales. O cooperativismo mineiro se caracterizou, nos últimos anos, por ocupar assentos, por sua própria conta e risco, convertendo-se assim em pequenos empresários, que, na prática, não aportam impostos para o Estado.

De acordo com fontes ligadas ao governo, os cooperativistas mineiros, em seu desejo de continuar potencializando seu setor, chegaram inclusive a fazer contatos com setores conservadores, para levar adiante ações desestabilizadoras contra o governo. Especificamente, com ex-autoridades dos governos de Gonzalo Sánchez de Lozada (MNR) e Jorge Quiroga Ramírez (Podemos).

Em setembro passado, representantes da Federação Regional de Cooperativas Mineiras de Huanuni viajaram para Londres (Inglaterra) supostamente para comprar o capital social da empresa RBG Resources PLC. Contudo, fontes de inteligência confirmaram que, nesta viagem, foram contatados os ex-ministros Juan Careaga e Jaime Villalobos. A transação com a empresa não se concretizou porque foi descoberto que se tratava de uma compra ilegal.

Antes que ocorresse o conflito em Huanuni, os mineiros cooperativistas de Potosí ocuparam a Prefeitura dessa cidade com a única demanda de não pagar o Imposto Complementar Mineiro (ICM), fato que beneficiava os mineiros médios. E, segundo informação do governo, esta ocupação teve apoio do próprio Jaime Villalobos.

De acordo com dados oficiais, 4.010 cooperativistas não pagam impostos ao Estado boliviano, enquanto que 850 trabalhadores sindicalizados pagam cerca de US$ 4 milhões. O conflito entre mineiros assalariados que dependem da Combil e os cooperativistas acontecem pela disputa de áreas de trabalho no vale Posokoni, um dos mais ricos em reservas de estanho.

Em oito meses de gestão, o governo nacional realizou, de forma separada e também conjunta, 16 reuniões, tanto com trabalhadores sindicalizados, como cooperativistas mineiros. Neste período, foram apresentadas três propostas rechaçadas por ambos os setores. Na última reunião conjunta, o presidente Evo Morales lhes propôs que os dois setores em conflito fizessem uma nova proposta para ser executada pelo governo nacional. A proposta não chegou.