Conflito na Chechênia deixa pelo menos 30 mortos

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Publicado sábado, 11 de outubro de 2003 as 16:40, por: cdb

O Exército russo e a guerrilha separatista chechena informaram neste sábado separadamente sobre diversos incidentes armados nos quais pelo menos 30 pessoas teriam morrido e dezenas ficado feridas em ambos os lados nas últimas 24 horas.

O comando militar informou que suas tropas aniquilaram nesta sexta-feira à noite em Itum-Kalé, no sul da Chechênia, um comando de entre 10 e 14 rebeldes supostamente responsável pelo assassinato, na véspera, do líder de um conselho de anciãos local, por colaborar com as autoridades russas. Os militares reconheceram a existência de oito feridos nas fileiras russas neste confronto armado e de pelo menos outros sete em outros três incidentes, dois deles atentados guerrilheiros com bombas contra veículos militares na capital chechena, Grozni, segundo a Interfax.

A agência separatista Chechenpress afirmou por sua vez que 17 soldados russos morreram e outros 25 ficaram feridos quando um comando checheno destruiu ontem uma caravana do Exército integrada por dois blindados e três caminhões em Shali, no sudeste da região. De acordo com o comando guerrilheiro, três soldados morreram e outro ficou ferido quando os rebeldes atacaram um posto militar russo na estrada Petropavlovski, nas proximidades de Grozni. Entretanto, fontes chechenas pró-russos só reconheceram a existência de dois mortos nesse ataque.

De acordo com outras informações de ambos os lados, houve outros incidentes menores com poucos feridos ou sem vítimas nas localidades de Asinovskaya e Ulus-Kert e nos distritos de Argun, Naurski, Shatóy e Achjoy-Martan.

O ministério do Interior acrescentou que nas últimas 24 horas suas unidades e a polícia chechena pró-russos desmantelaram cinco laboratórios clandestinos destinados a refino de petróleo e apreenderam aproximadamente 30 toneladas de gasolina. Além disso, os agentes federais descobriram e destruíram sete arsenais secretos nos quais a guerrilha ocultava lança-granadas, explosivos, minas e outras munições.

A divulgação destas informações sobre o conflito bélico coincidiu com a publicação, pelo órgão pró-governo Rossíyaskaya Gazeta, de uma entrevista na qual o vice-ministro do Interior, Yuri Maltsev, defendeu a tese do Kremlin de que não existe mais guerra na Chechênia. No país “praticamente não há combates de envergadura, e já não restam grandes grupos de bandidos (como a propagada russa chama os separatistas) que possam ter influência substancial na situação”, afirmou. Ele também garantiu que “no território da Chechênia há tempo que não restam acampamentos de preparação subversiva”.

Mas o vice-ministro se contradisse quando na mesma entrevista revelou que às vésperas das eleições presidenciais realizadas pelo Kremlin na Chechênia no domingo passado as forças de segurança “frustraram 13 atentados terroristas”.

O vencedor das eleições, consideradas pelo Kremlin fundamentais para seu plano de pacificação da Chechênia, mas criticadas dentro e fora do país por terem sido realizadas em meio a uma guerra, foi o dirigente pró-russo da região rebelde, Ahmad Kadírov.