Confira os bastidores da demissão de Júnior

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Publicado segunda-feira, 13 de outubro de 2003 as 22:40, por: cdb

O primeiro sinal de sua demissão Júnior já tinha dado no domingo, no Morumbi, logo após a derrota (3 a 0) para o São Paulo. Júnior entrou no vestiário furioso e desabafou. “Eu não vou queimar 30 anos de futebol desse jeito!”. O clima ficou pesado, mas a explosão do técnico parecia ter acabado ali mesmo.

Nesta segunda-feira, Júnior acordou decidido a abandonar o Corinthians. Chegou à conclusão de que não conseguiria fazer milagre dirigindo um grupo limitado e inexperiente. Constatou que as coisas ficariam ainda piores para o time e principalmente para ele.

À tarde, Júnior resolveu pedir uma reunião com todo o Departamento de Futebol no hotel onde mora, no Jardim Anália Franco, próximo do Parque São Jorge. Reuniu-se com o vice-presidente, Antônio Roque Citadini, o gerente Edvar Simões e Rivellino, que também se surpreendeu com a demissão.

A decisão de sair colocou a diretoria em pânico. Citadini tentou a todo custo convencer Júnior a ficar. Não conseguiu. Júnior nem precisou explicar todas as razões que o levaram a desistir do Corinthians.

Só faltou dizer que esperava mais de seu vice-presidente que, nos momentos críticos do time, tem se omitido. Tanto isso é verdade que Citadini nem ficou sabendo do desabafo do técnico no Morumbi.

Júnior não precisou de muito tempo nos bastidores do clube para constatar a verdade do futebol: dever para jogador é mau negócio. E o Corinthians deve muito para o elenco. Além dos atrasos nos direitos de imagem, ainda não pagou o prêmio pela Copa do Brasil nem parte dos bichos do vice brasileiro de 2002.

O ex-técnico também percebeu que estava sendo usado pela diretoria. Uma espécie de ‘boi de piranha’. Estava ali apenas para desviar a atenção da mídia e da torcida. Enquanto Júnior estivesse no cargo, Citadini e Dualib teriam um certo sossego mesmo com a campanha desastrosa.

A questão agora é saber quem aceita o desafio de comandar o time até o final do Brasileiro. Casagrande, um dos cotados quando Júnior foi contratado, ficou queimado com Citadini.
No Parque já se discute sobre o melhor caminho.

Uma ala entende que o Corinthians deveria seguir até o final do Brasileiro com Jairo Leal e em 2004 trazer um técnico de ponta. O nome de Vanderlei Luxemburgo é defendido por esse grupo, mesmo sabendo que o técnico do Cruzeiro já renovou com o clube mineiro.

O problema é que Citadini, isolado com o apoio só de Dualib, pensa diferente. Além de ter demitido Luxemburgo, o vice pensa pequeno. Quer descobrir alguém novo e barato.

A escolha do técnico vai ser uma queda de braço entre as lideranças do clube. Júnior saiu também por isso. Percebeu que o clube está rachado. E que Citadini não é bem visto nem pelo próprio elenco.