Comunistas garantem que arrocho salarial é o maior já visto na história do Brasil

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Publicado sexta-feira, 31 de agosto de 2001 as 19:05, por: cdb

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Em greve desde o dia 25 de Agosto, os técnicos-administrativos, prenunciaram com seu movimento, que atinge todo o Brasil, a reação em cadeia do funcionalismo público brasileiro, que vem sendo aviltado há pelo menos sete anos, no que diz respeito aos reajustes salariais, direitos trabalhistas e condições de trabalho. Isso tudo fruto da maior investida contra os serviços públicos jamais vista no país, que além de congelar os salários levando o funcionalismo a perdas da ordem de 80% (oitenta por cento) reduziu os investimentos em recursos humanos e técnicos, promoveu demissões (vide exemplo do programa de “demissões voluntárias”), retirou direitos trabalhistas, entre outros, o que só agravou a qualidade e a função social dos serviços públicos.

E com as universidades a história não foi diferente. A instituição da GED versus reajuste para todos, a proliferação das Fundações claramente vinculadas aos interesses da iniciativa privada, os cortes de funcionários, o corte de cursos noturnos, de bolsas de pesquisas, a privatização dos RU’s (restaurantes universitários), a aplicação de taxas abusivas e inconstitucionais etc, etc são alguns exemplos a serem apontados e que têm trazido drásticas conseqüências ao caráter publico das IFES e ao seu papel frente à sociedade.

A lógica de sucateamento e desvalorização dos serviços públicos é a maneira encontrada pelo projeto neoliberal de justificar ideologicamente a “falência” do Estado e a necessidade da intervenção da iniciativa privada como gestora ou co-gestora dos serviços públicos, ao mesmo tempo em que se cumpre à risca a imposição do FMI em diminuir gastos no orçamento, a fim de se garantir as remessas de riquezas para a “quitação” da dívida externa, que no período de 1994 até hoje aumentou mais de 300%, passou dos US$ 180 bi para cerca de US$ 600 bi.

Hoje as propagandas de estabilidade e crescimento econômico já não convencem e o que se vê é a miséria, o desemprego e a violência crescerem e atingirem a patamares que apontam para a barbárie social.

A luta dos funcionários das Ifes tem demonstrado um caráter crítico de denúncia de privatização das Ifes e da necessidade da defesa do caráter público da pesquisa, do ensino e da extensão. O governo e o MEC, mesmo acuados têm resistido nas negociações e vêm se utilizando da pressão arbitrária das direções dos Hospitais Universitários no sentido de forçar seus funcionários por via judicial e ameaças de punição a retomarem seus postos; isso vem ocorrendo em Estados com Paraná, Pará entre outros, além de se valer da lei da mordaça da mídia, que tenta esconder a realidade ou falsear o processo no qual está inserida a universidade pública brasileira.

Por isso é necessário que os segmentos em greve nas universidades fortaleçam seu movimento com a unificação dos Comandos de greve em cada universidade envolvendo os estudantes que há anos sentem os reflexos das privatizações. Esse é um dos momentos mais delicados que as IFES já enfrentaram, porém a disposição de luta e resistência dos trabalhadores em greve atingiu um importante grau de mobilização que deve tomar as ruas, as praças e ganhar apoio dos demais segmentos da classe trabalhadora e de sua entidades a fim de garantir a vitória frente ao desgastado (des)governo de FHC/FMI.

O momento é de unificar as lutas e nesse sentido a UNE, a FASUBRA, a ANDES e a CUT assim como os parlamentares do campo democrático-popular devem esforçar-se nesse sentido. Só com organização e luta conseguiremos vencer o neoliberalismo e construir um novo modelo de sociedade justa e igualitária.