Compositor Gyorgy Ligeti morre aos 83 anos

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Publicado terça-feira, 13 de junho de 2006 as 10:49, por: cdb

O compositor húngaro Gyorgy Ligeti, que teve algumas de suas músicas usadas na trilha de <i>2001 – Uma Odisséia no Espaço</i>, de Stanley Kubrick, morreu em Viena na segunda-feira. A informação é de sua editora musical alemã, a Schott Music.

Herdeiro espiritual do compositor húngaro Bela Bartok, Ligeti esteve na dianteira da música de vanguarda do século 20. Ele sobreviveu à detenção em um campo de concentração nazista e à perseguição do governo ditatorial comunista da Hungria.

– Na pessoa de Gyorgy Ligeti, perdemos o compositor mais importante da era pós-Bartok – disse Ivan Fischer, diretor da Orquestra do Festival de Budapeste, à agência de notícias estatal húngara <i<MTI</i>.

Ligeti tinha 83 anos e era conhecido entre os amantes da música sobretudo por peças como a ópera <i>Le Grand Macabre</i>, composta entre 1975 e 1977. A obra é representante da micropolifonia, estilo complexo desenvolvido por Lygety, em que o compositor apaga as fronteiras entre harmonia, melodia e ritmo.

– Ligeti foi um compositor de vanguarda, definitivamente moderno, que fez muitíssimo pela renovação da linguagem musical na segunda metade do século 20 – disse Fischer.

Ligeti teve músicas utilizadas em três filmes de Kubrick: <i>2001 – Uma Odisséia no Espaço</i>, <i>O Iluminado</i> e <i>De Olhos Bem Fechados</i>. Em 2005, trechos de seu <i>Réquiem</i> foram usados no filme <i>A Fantástica Fábrica de Chocolate</i>, dirigido por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp.

Ligeti nasceu em 28 de maio de 1923, em uma família judia húngara, na Transilvânia, que até 1921 fez parte da Hungria.

Ele não pôde ingressar na universidade devido às leis nazistas contra os judeus. Em 1941, começou a estudar música com Ferenc Farkas, no conservatório Cluj, na Romênia, e mais tarde continuou em Budapeste.

Em 1943, foi preso pelos nazistas e condenado a trabalhos forçados. Seu pai e seu irmão morreram no campo de concentração de Auschwitz.

Mas Ligeti sobreviveu e, depois da guerra, retomou seus estudos com Farkas e Sandor Veress na Academia Franz Liszt, em Budapeste. Entretanto, sua música voltou a enfrentar dificuldades sob a repressão comunista que se seguiu à 2ª Guerra Mundial.

Ele fugiu da Hungria em 1956, quando tropas soviéticas reprimiram o levante húngaro contra o governo comunista. Em Viena, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da vanguarda musical da Europa ocidental.