Companhia elétrica banca propaganda para Alckmin

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Publicado sábado, 1 de abril de 2006 as 17:22, por: cdb

A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), empresa estatal paulista, está sendo vítima de duas operações suspeitas, patrocinadas pelo governo Geraldo Alckmin. A primeira delas é um contrato de patrocínio de R$ 60 mil, fechado com uma revista especializada em “medicina tradicional chinesa”, dirigida pelo médico Jou Eel Jia, que atende o governador Geraldo Alckmin há três anos. A revista chama-se Ch’an Tao e é editada por uma empresa de nome Spring, criada em 2004 e vinculada à TAM.

O contrato é assinado pelo presidente da CTEEP, Sidnei Martini, e avalizado pelo secretário de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, Mauro Arce. Ele envolve a veiculação de “matéria de cunho editorial do assunto que achar interessante”, e a distribuição da publicação em órgãos do Estado e em “eventos que lhe for mais útil”. Publicada a revista, não há publicidade e nem menção a CTEEP em suas páginas. Em compensação, de suas 54 páginas, nove são dedicadas ao governador Alckmin, incluindo a capa. O deputado estadual Sebastião Arcanjo (PT) desconfia que o governo do Estado de São Paulo esteja se valendo de empresas estatais para fazer publicidade oficial de forma velada.

A Contexto Propaganda, que atende a Nossa Caixa e que está envolvida no favorecimento de políticos da base parlamentar do governo na Assembléia, também atende a uma das contas da CTEEP.

Vender por pouco o que vale muito

A segunda operação suspeita acontece assim. Pegue uma empresa eficiente e lucrativa, avaliada em R$ 16 bilhões, com receita líquida de R$ 1,2 bilhão, lucro líquido de R$ 468 milhões e R$ 545 milhões em caixa. Um mundo de dinheiro. Espalhe a quatro ventos que você vai fazer um grande negócio: torrar essa mesma companhia por menos de R$ 2 bilhões. Se alguém reclamar, diga que você tem um outro negócio deficitário, e que vai usar o dinheiro arrecadado para saldar suas dívidas. Detalhe: os papagaios somam R$ 11 bilhões e o que você pode conseguir nem de longe tapa esse rombo.

Parece absurdo, mas é exatamente o que o governo do Estado de São Paulo pretende fazer com a maior e mais eficiente transmissora de energia elétrica do Brasil, a CTEEP. Pior. Monta a operação no apagar das luzes de sua gestão, numa pressa suspeita e após o modelo elétrico baseado na iniciativa privada ter provocado um apagão em 2001 e de ter elevado os preços da energia ao consumidor quase quatro vezes acima da inflação. Os valores descritos acima são todos números oficiais, levantados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Energia

A página da empresa na internet atesta sua importância estratégica:

“A Transmissão Paulista opera uma complexa infra-estrutura composta por mais de 11.780 quilômetros de linhas de transmissão que se estendem por todo o Estado de São Paulo, ultrapassando 18.266 quilômetros de circuitos. As 102 subestações operadas pela Empresa somam uma capacidade de transformação acima de 38.500 MVA. Toda essa operação é monitorada por um sistema integrado de coordenação, supervisão e controle do sistema elétrico”. Pelas linhas da CTEEP passam cerca de 30% de toda a energia do país.

A companhia foi criada em 1999, a partir da cisão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo). Esta era a maior empresa de energia elétrica do país. A Cesp compreendia empresas de geração, transmissão e distribuição, constituindo um sistema integrado. Para preparar a privatização, a empresa foi fatiada. Com a primeira divisão, criou-se a Elektro, distribuidora, em 1998. Em 1999, as partes que sobraram acabaram novamente seccionadas em três geradoras – as Cesps Tietê, Paranapanema e Paraná – e uma transmissora, a CTEEP. A Cesp Tietê foi vendida à estadunidense AES, a Paranapanema ficou com a Duke Energy e a Paraná segue estatal.

Nas estranhas operações da privatização, o governo Fernando Henrique saneou as partes a serem vendidas e deixou a maior parte da dívida com a Cesp,