Comissão vai investigar grupos de extermínio

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 16:58, por: cdb

A atuação das milícias privadas e dos grupos de extermínio nos estados da Paraíba e Pernambuco vai ser investigada por uma comissão especial composta por representantes do Ministério Público Federal e do Poder Executivo. O Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) decidiu fazer a investigação após denúncias feitas semana passada pelo deputado Luiz Couto (PT-PB).

Entre 1995 e 2002, quando era deputado estadual, Luiz Couto presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Paraíba e a CPI que investigou o narcotráfico e apurou a atuação dos grupos de extermínio naquele estado. O deputado também apresentou os relatórios da CPI à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

As investigações da CPI do Narcotráfico e Grupos de Extermínio na Paraíba identificaram a existência de uma rede criminosa que atua com a conivência e a proteção do poder público estadual, envolvendo delegados, secretários de Estado, políticos, promotores e juizes, que utilizam os serviços dos grupos de extermínio e são beneficiados pela lavagem do dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas.

Foram indicados para a comissão Perly Sipriano, assessor da Secretaria Especial de Direitos Humanos; Raquel Elias Ferreira Dodge, procuradora federal dos Direitos do Cidadão; Percílio de Souza Lima Neto, do Conselho Federal da OAB; Cláudio Luiz dos Santos Beirão, assessor especial do Ministério da Justiça, e Antônio Carlos Nascimento Pedro, do Ministério das Relações Exteriores.

Proteção

Luiz Couto solicitou proteção à sua vida ao presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), devido às intimidações e ameaças que vem sofrendo desde que iniciou a investigação sobre o narcotráfico e os grupos de extermínio na Paraíba.

O deputado já recebeu diversas ameaças de morte por meio de telefonemas, cartas anônimas, manifestações diretas na rua e em sua residência, em João Pessoa. Segundo ele, um policial militar, líder de um dos grupos, diz abertamente que vai matá-lo. Testemunhas e membros do Ministério Público estadual que trabalham no caso também são alvo das ameaças de morte.

Até o final de seu mandato como deputado estadual, em 31 de dezembro do ano passado, Luiz Couto contava com a proteção de um agente de segurança fornecido pela Assembléia Legislativa da Paraíba. Agora, como deputado federal, espera receber proteção da Câmara dos Deputados e segurança para continuar seu trabalho.