Comissão de parlamentares britânicos vai investigar frango brasileiro

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Publicado quarta-feira, 2 de julho de 2003 as 18:36, por: cdb

Uma comissão de parlamentares do comitê de agricultura da Câmara dos Comuns do Reino Unido vai ao Brasil nesta sexta-feira para conhecer o sistema de produção no setor do país. Uma das prioridades do comitê será levantar informações sobre a indústria de frango no Brasil.

Os parlamentares querem saber mais sobre os métodos de produção de frango, produto que é exportado ao Reino Unido e freqüentemente acusado de não estar dentro dos parâmetros sanitários aplicados pelas autoridades britânicas.

Entre as acusações enfrentadas pelo produto brasileiro está o de conter antibióticos proibidos na União Européia (UE), como o nitrofurano.

Por isso, a carne de frango atualmente exportada do Brasil para a UE não é examinada por amostragem como a da maioria dos países – todo o frango brasileiro passa por investigação sanitária.

O uso do antibiótico foi proibido no Brasil, mas, mesmo depois dessa medida, houve denúncias de que o frango brasileiro ainda tinha rastros desse medicamento, que é cancerígeno.

Outra acusação enfrentada pelo produto brasileiro é o de conter injeções de hormônios e proteínas para aumentar o volume do frango.

– O Brasil é um grande fornecedor de carne de frango para o Reino Unido. Boa parte vai para a indústria de alimentação, mas o produto final também é vendido, muitas vezes com a etiqueta britânica – diz o presidente do comitê, o parlamentar David Curry.

A preocupação com a qualidade e a segurança dos alimentos é muito grande na Grã-Bretanha, segundo ele, e por isso o comitê quer conhecer de perto os métodos da indústria brasileira.

– Queremos descobrir o que acontece nessa indústria. É uma missão para levantamento de informações – disse o parlamentar.

Segundo ele, não há rejeição ao produto brasileiro, apesar das freqüentes notícias publicadas na mídia sobre eventuais problemas com o frango brasileiro, mas as pessoas querem ter segurança em relação ao que estão comendo.

Outro objetivo da visita do comitê será discutir as negociações agrícolas feitas na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na semana passada, a UE aprovou a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), com a desvinculação entre o nível de subsídio dado aos produtores e o volume de produção, o que deve reduzir as distorções no mercado, segundo os europeus.

– Pode se criticar que a reforma da PAC anda muito devagar ou é muito cautelosa, mas essa desvinculação é decisiva – avaliou Curry.

Mas ele reconhece que as negociações na reunião ministerial da OMC em Cancún, no México, em setembro, serão difíceis.

Os franceses, os que mais recebem subsídios e mais se opõem à mudança nessa política, devem se opor a novos avanços que devem ser exigidos na OMC por Estados Unidos e países exportadores de produtos agrícolas, como o Brasil, Austrália e outros, segundo o parlamentar.

Apesar das dificuldades, Curry acha que as negociações para a liberalização da agricultura vão caminhar na OMC.

– Não dá ainda para comprar champanhe para comemorar os resultados de Cancún – disse ele. E completou:

– Mas os riscos de um fracasso da rodada são tão elevados, que estamos indo por um caminho longo e tortuoso, mas devemos chegar lá. O comitê também quer se informar sobre a produção de transgênicos no Brasil.

Na Grã-Bretanha, esses produtos estão proibidos, como acontece em toda a União Européia.

Curry defende os transgênicos e acusa o governo britânico de não assumir uma posição clara sobre o tema por causa dos diferentes grupos de pressão, desde ativistas do setor até a maioria da esquerda do Partido Trabalhista.

Uma das curiosidades dos parlamentares é com relação à proposta de produzir trangênicos sem permitir que eles entre em contato com o restante dos produtos agrícolas.

– A política do Brasil é interessante. É proibido, mas o Congresso aprovou a exportação de transgênicos para a China – disse.

Na pauta dos parlamentares britânicos está ainda um levantamento de informações sobre a produção