Comissão de Ética aprova abertura de processo e Jader pode renunciar

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Publicado quinta-feira, 27 de setembro de 2001 as 13:13, por: cdb

O discurso do senador Jader Barbalho no plenário da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, para o senador Eduardo Suplicy, “foi uma espécie de despedida do mandato”. Na tarde desta quinta-feira, os parlamentares desta comissão votaram o relatório que aponta o ex-presidente do Senado como o principal beneficiado no desvio de recursos do Banpará. Após o encaminhamento da decisão, por 11 votos a favor e quatro contra, em tese o assunto terá 15 dias até chegar ao plenário do Senado. “Mas até aí ele já renunciou. Isso (a renúncia) não passa de terça ou quarta-feira da semana que vem”, completa a senadora petista Heloisa Helena.

Durante quase duas horas, Jader disse que foi vítima de uma farsa, que teve como objetivo desmoralizá-lo e tirá-lo da vida pública. Afirmando que o Senado não quer manter um mentiroso entre seus parlamentares, embora não existam provas “robustas” de que teria desviado dinheiro do banco estadual, Jader voltou a citar o relatório do Banco Central.

– Eu ainda sou considerado mentiroso apesar de não existir nenhuma prova. Eu disse para essa comissão que sou inocente. Talvez por isso que eu não possa mais conviver com tantas figuras ilustres do cenário brasileiro – afirmou.

Jader disse que seu “calvário político” começou no dia 5 de abril do ano passado, com as discussões com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Segundo o peemedebista, a perseguição teria se intensificado com sua eleição para a presidência do Senado e a descoberta da fraude no painel eletrônico de votação, que resultou na renúncia dos então senadores Antonio Carlos e José Roberto Arruda (sem partido-DF). Com a renúncia de Antonio Carlos, Jader disse que passou a ser tratado como “a bola da vez”.

– Se eu não tivesse enfrentado Antonio Carlos Magalhães, nada disso teria acontecido – afirmou.