Comércio varejista cresce 5,42% em 2004 na Grande São Paulo

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 22:17, por: cdb

O comércio varejista da região metropolitana de São Paulo registrou em 2004 alta de 5,42% no faturamento em relação a 2003, segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, divulgada hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

Na avaliação da entidade, a redução do desemprego e a expansão do crédito para pessoas físicas – que cresceu cerca de 43% no acumulado do ano – foram determinantes para o resultado que, apesar de positivo, ficou dentro do esperado pelos economistas da Federação.

Seis dos dez setores analisados apresentaram crescimento em 2004. Os melhores desempenhos foram registrados por lojas de eletrodomésticos (18%) e de vestuário, calçados e tecidos (16,89%).

Em terceiro lugar aparecem as concessionárias de veículos (13,64%) – segundo a Fecomércio, segmento que apresentou comportamento mais consistente e estável ao longo do ano, sustentado pela grande oferta de crédito ao consumidor:

Apenas em dezembro, o volume de empréstimos para financiamento de veículos para pessoa física atingiu R$ 38,3 bilhões, mais de um terço do valor de todas as operações de crédito realizadas no mês (R$ 113,6 bilhões, segundo dados do Banco Central – 29% a mais que em dezembro de 2003).

As vendas de supermercados na Grande São Paulo, em contrapartida, cresceram apenas 1,38% no ano passado – índice bastante modesto considerando a natureza essencial dos produtos comercializados pelo setor. Ainda assim, apenas os grandes supermercadistas obtiveram algum aumento de vendas. De acordo com a Fecomércio, os pequenos e médios supermercados mostraram resultados sistematicamente negativos ao longo do ano.

O pior desempenho de 2004 ficou com as lojas de autopeças e acessórios: queda de 2,93% em relação ao ano anterior. Na avaliação da Fecomércio, o setor foi fortemente afetado pelas elevações de preços devido às altas internacionais dos insumos de produção, como petróleo, aço e vidro.

Apesar do bom resultado para a maioria dos setores, os economistas da entidade ressaltam que o crescimento não deve se manter nos patamares atuais sem aumento da renda real, principalmente porque a base de comparação será mais forte.

– Só crédito não garante crescimento por muito tempo. E ainda há o risco de o consumidor se endividar demais e não conseguir honrar seus compromissos. Para que haja crescimento sustentado, é preciso um aumento maior da renda e do emprego –  afirma o presidente da Fecomécio, Abram Szajman.

Szajman acredita que será decisivo o encaminhamento da política monetária nos próximos meses:

– Se a tendência restritiva de elevação sistemática da taxa de juros persistir, haverá impactos importantes sobre a confiança dos consumidores, as vendas e os investimentos.