Começam os trabalhos da CPI do Banestado

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Publicado terça-feira, 1 de julho de 2003 as 12:14, por: cdb

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado começa seus trabalhos nesta terça-feira e as primeiras pessoas a serem ouvidas serão os policiais que investigaram o caso, ainda no Paraná.

Em sua primeira reunião, ocorrida na semana passada, a CPI decidiu requisitar todos os documentos relativos às apurações da remessa ilegal de dinheiro para o exterior por contas CC-5, estimada em US$ 30 bilhões, por meio de uma agência do Banco do Estado do Paraná situada nos Estados Unidos.

Estima-se que o dinheiro tenha sido remetido a paraísos fiscais entre 1996 e 1999, o que constituiria crime de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Na primeira fase dos 120 dias de investigações da CPI, os 16 senadores e 16 deputados que a integram poderão convocar pessoas que estão envolvidas nas apurações para deporem.

Entre os documentos a serem requisitados estão o processo que corre em segredo de Justiça, documentos em posse do Ministério Público Federal e os inquéritos da Polícia Federal e da força-tarefa formada pelo governo para apurar o caso. Deverão ser ouvidos, entre outros, técnicos do Banco Central, delegados da PF e procuradores.

O presidente da CPI é o senador Antero Pares de Barros (PSDB-MT), o vice-presidente, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), e o relator, deputado José Mentor (PT-SP).

Mentor afirma que somente de posse de todos os documentos, e a partir do conhecimento dos fatos e de como funciona o processo, será definido o foco central das investigações. O relator acredita que a primeira fase das investigações poderá demorar entre 20 e 30 dias.

A expectativa é que a CPI continue funcionando no período da convocação extraordinária.

Antero Paes de Barros adianta que uma das suas maiores preocupações é com o caráter sigiloso das investigações e garantiu que será preservado o sigilo dos documentos a serem requisitados.

– O vazamento de informações será a pior atitude possível. Seria fazer o jogo de quem não quer apurar – afirma o senador tucano.

Já o relator disse que, ao final da CPI, a comissão poderá sugerir alterações na legislação pertinente às contas de residentes no exterior.