Começa campanha eleitoral pela direção da OMC

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 19:17, por: cdb

Os quatro candidatos que disputam o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) entraram em campanha na quarta-feira, prometendo acelerar as negociações para a liberalização do comércio mundial e obter acordos justos para os países subdesenvolvidos.

Preocupada em evitar as agudas divisões de seis anos atrás, a OMC estabeleceu um cronograma claro para a escolha, se possível, de um candidato de consenso, sem a necessidade de levar o assunto à votação dos 148 países membros.

Os quatro candidatos são: Luiz Felipe Seixas Correa, embaixador do Brasil na OMC; Pascal Lamy, ex-comissário europeu do Comércio; Jaya Krishna Cuttaree, chanceler de Maurício; e Carlos Pérez del Castillo, uruguaio que dirigiu o Conselho Geral da OMC.

– Aprendemos nossas lições. Não queremos uma repetição da última vez – disse Pérez de Castillo, o primeiro a anunciar sua intenção de suceder o tailandês Supachai Panitchpakdi, cujo mandato termina em agosto.

O impasse de 1999 só foi resolvido por um acordo que levou Panitchpakdi e seu adversário, o ex-primeiro-ministro neozelandês Mike Moore, a dividirem em partes iguais o mandato, com três anos para cada.

A campanha vai até o final de março, quando o diretor do Conselho Geral, que reúne todos os países membros, vai tentar reduzir a lista a dois nomes. O objetivo é que haja um consenso até o final de maio.

A maior projeção internacional dá o favoritismo inicial a Lamy, mas diplomatas em Genebra dizem que ele não é uma unanimidade para este cargo, que traz muito prestígio, mas pouco poder real.

Pérez de Castillo, que afirma ter o apoio da maioria dos países latino-americanos, teve um bom mandato como presidente do conselho e é muito respeitado em Genebra, segundo diplomatas. Dos quatro, é o mais experiente na OMC.

Mas o Brasil lidera o influente G20, formado por países subdesenvolvidos, e tem grande peso em questões de comércio internacional, o que pode favorecer Correa.

Já o político das ilhas Maurício chega com apoio, ao menos no papel, dos 60 países pobres da África, Caribe e Pacífico.

A mudança no comando do órgão, que estabelece as regras do comércio internacional, ocorre em um momento delicado, quando a OMC tenta dar impulso à Rodada Doha de negociações, cujo sucesso pode injetar bilhões de dólares na economia mundial.

Todos os candidatos dizem que farão de tudo para completar a Rodada Doha. “Será a prioridade número um, dois e três”, disse Lamy.

Cuttaree e Correa insistem que o próximo diretor-geral da OMC deve vir de um país pobre, uma vez que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional já são comandados por um norte-americano e por um europeu, respectivamente.

Lamy, no entanto, nega que seja o candidato dos países ricos e propõe o “re-equilíbrio do sistema comercial internacional em favor dos países em desenvolvimento”.

– Não há forma de concluirmos a rodada se os países em desenvolvimento não se sentirem beneficiários ao invés de vítimas do sistema – afirmou.