`Combates acontecerão nas ruas de Bagdá´, diz ministro de Saddam

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 21:57, por: cdb

O ministro da Defesa do Iraque, Sultan Hashem Ahmed, disse nesta quinta-feira que prevê que as forças lideradas pelos Estados Unidos cercarão Bagdá dentro de cinco a dez dias. Em entrevista coletiva, ele afirmou que as forças inimigas têm capacidade de cercar as defesas da cidade. “Mas os combates acontecerão nas ruas de Bagdá se tentarem entrar na cidade”, garantiu.

A entrevista aconteceu ao final de outro dia de pesado bombardeio ao sul da capital iraquiana e intensificação de atividades militares no norte do Iraque.

Outra frente de batalha acontece na rota entre Bagdá e a cidade de Al Samawah. As forças da coalização americana avançaram com tanques e veículos blindados, protegidos por helicópteros Apache que voltaram a operar depois de vários dias sem voar por causa das tempestades de areia.

Bush

Um correspondente da BBC acompanhando as forças americanas disse que as forças iraquianas são compostas de cerca de 1.500 membros das Fedains – milícias conhecidos por sua lealdade ao presidente Saddam Hussein.

O presidente americano, George W. Bush, reafirmou nesta quinta-feira que estava comprometido com a libertação do povo do Iraque “não importa quanto tempo demore” e que estaria junto com eles nos desafios que vai enfrentar.

Numa entrevista junto com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em Camp David, nos Estados Unidos, Bush disse é preciso retomar urgentemente o programa Petróleo por Comida da ONU para ajudar civis iraquianos.

Bush disse que os Estados Unidos estavam comprometidos a ajudar o povo iraquiano a longo prazo, mas que o programa da ONU não deveria ter uma conotação política.

Um correspondente da BBC disse que o discurso era um alerta ao Conselho de Segurança da ONU, porque alguns membros vêem o reinício do programa como um endosso da invasão do Iraque pela coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Blair disse que tanto seu governo como Washington tinham um compromisso de trabalhar junto com a ONU para garantir que o Iraque tivesse uma administração apropriada imediatamente após o fim da guerra.

O primeiro-ministro se encontra nesta quinta-feira à noite, em Nova York, com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para discutir a crise humana no Iraque.

Poucas horas do encontro, o embaixador americano na ONU, John Negroponte, abandonou um debate de emergência no Conselho de Segurança sobre ajuda ao país.

Negroponte deixou a reunião em protesto contra um discurso do embaixador iraquiano na organização, Mohammed Al-Douri, acusando as forças lideradas pelos Estados Unidos de tentar exterminar o povo iraquiano.