Comando do PSDB quer “fato” para alavancar candidatura Serra

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Publicado sexta-feira, 26 de abril de 2002 as 01:13, por: cdb

O comando da campanha presidencial do PSDB está empenhado em produzir um fato político forte para dar impulso à candidatura do senador José Serra nas pesquisas eleitorais, mas a estratégia esbarra no candidato. O “fato político forte” com o qual sonham os estrategistas de Serra é o anúncio, em grande estilo, da coligação formal com o PMDB. Mas como o candidato e o PMDB não se entendem na escolha do vice que vai compor a chapa com o PSDB, as negociações com o parceiro devem avançar sobre o quinhão de poder do futuro governo.

“Se o Serra teimar em escolher um vice que não é afinado com a cúpula, terá que pagar o preço, negociando o futuro”, resume um interlocutor do candidato. Refere-se ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), preferido de Serra por encarnar a história do PMDB, ao mesmo tempo em que dirigentes peemedebistas defendem os nomes do deputado Henrique Alves (RN) e do prefeito de Joinville, Luiz Henrique da Silveira.

Mas o candidato não tomará a iniciativa de discutir o nome de seu vice com a cúpula do PMDB antes que tucanos e peemedebistas se entendam nos Estados em que as disputas locais podem dificultar o engajamento dos aliados na corrida eleitoral. “Não vou ficar pendurado em um vice, sem fechar a coligação”, diz o próprio Serra, que almoçou com seu coordenador de campanha, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG), o presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP) e o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG).

Na noite da véspera, ele conversara a sós com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que a pedido da cúpula do PMDB decidiu interferir para pacificar tucanos e peemedebistas nos Estados. Os dirigentes do PMDB fazem questão de garantir uma situação confortável para os companheiros de, no mínimo, quatro estados: Acre, Sergipe, Mato Grosso e Alagoas. Serra insiste que não impõe “veto ideológico nem comportamental” a quem quer que seja para compor chapa com ele. “Meu único critério é ter um vice que me ajude a ganhar a eleição”, afirma o candidato.

Um dirigente tucano conta que o comando da campanha tem pesquisas quantificando a força do apoio de Simon. “Ele nos daria um milhão de votos no Rio Grande do Sul”, diz o dirigente. Experiente, o tucano sabe que este milhão de votos vai custar bem mais do que a vice-presidência e a garantia de que o vice não será instrumento para prejudicar a direção do partido no futuro. “Esta negociação certamente vai incluir a presidência de uma das Casas no Congresso e alguns ministérios”, disse.