Comandantes iraquianos teriam atirado contra seus soldados

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 15:19, por: cdb

O resultado do confronto foi um retrato de corpos iraquianos retorcidos, caixas fechadas de alimentos e colchões sujos, nos quais haviam passado suas horas finais.

Mas o soldado iraquiano com uma ferida à bala na parte de trás da cabeça sugeria algo cruel. Por todos os 320 quilômetros de deserto, onde as tropas anglo-americanas avançaram, um prisioneiro iraquiano depois do outro dizia uma história similar: que muitos soldados iraquianos estavam lutando no corpo a corpo, ameaçados de morte por defensores do presidente Saddam Hussein.

Aqui, de acordo com médicos americanos e prisioneiros iraquianos, parecia vir a confirmação da história. O iraquiano ferido, cuja vida se esgotava em um hospital americano, levou um tiro durante um confronto com tropas americanas, na noite da última terça-feira.

O tiro parecia ser de uma arma de pequeno calibre, provavelmente uma pistola, disparado à queima-roupa. Os prisioneiros iraquianos levados após a batalha disseram que seus oficiais disparavam contra ele, empurrando-os para a batalha.

“Os oficiais ameaçaram a atirar contra nós senão lutássemos”, disse um iraquiano ferido de sua cama no hospital americano. “Eles puxavam suas armas, apontavam contra nós e nos forçavam a lutar”.

“Nós achamos que ele levou um tiro de seu comandante”, afirmou o dr. Wade Wilde, um cirurgião da Marinha. “Se ele tivesse sido atingido por um M-16, ele teria sua cabeça arrancada. Parece uma ferida de uma arma iraquiana”.

Os fuzileiros americanos que se dirigiam a Bagdá através do centro do Iraque foram atacados pelo menos três vezes nas últimas 24 horas. Dois desses ataques, inclusive este no qual os soldados iraquianos alegam terem sido vítimas de seus próprios comandantes, seguiram um padrão similar.

Os iraquianos esperaram a passagem dos tanques e veículos americanos, então abriram fogo, como se pretendessem atingir a força americana, mas não tivessem capacidade de combater suas armas mais pesadas.

Por duas vezes na última terça-feira, os americanos sofreram ataques dessa forma. O primeiro ocorreu logo após o anoitecer, quando um comboio de fuzileiros foi alvo de tiros de soldados iraquianos.

Os detalhes são escassos, mas oficiais americanos disseram ter capturado diversos militantes, matado outros iraquianos e perdido nenhum homem. A caminho do norte do país, o único sinal do encontro era uma poça de sangue na beira da estrada.

Horas depois, durante uma tempestade de areia, o comboio americano foi novamente atacado. Uma força de aproximadamente 150 iraquianos se o esperava nas trincheiras, a cerca de 90 metros da estrada. O combate foi mais mortal desta vez: um fuzileiro morto e outro ferido, junto com pelo menos 12 iraquianos mortos.