Comandante iraniano aconselha EUA a não ameaçarem seu país

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Publicado quarta-feira, 5 de abril de 2006 as 12:33, por: cdb

Comandante dos Guardas Revolucionários do Irã, Yahya Rahim Safavi disse, nesta quarta-feira, que os EUA deveriam aceitar que o país é uma potência regional e que sanções ou ameaças militares não atenderiam aos interesses norte-americanos nem europeus. As declarações de Safavi foram ao ar em um canal estatal de TV durante uma semana de jogos de guerra da Marinha iraniana, na qual o país anunciou o teste bem-sucedido de novas armas, entre as quais mísseis e torpedos.

O Irã diz que os jogos de guerra no golfo Pérsico, que começaram na sexta-feira, são uma mostra de seu poder de defesa, mas, segundo analistas, o momento em que os jogos acontecem, durante um impasse com o Ocidente sobre o programa nuclear iraniano, lembra que o país pode ameaçar uma rota vital de abastecimento de petróleo do mundo.

– Os americanos deveriam aceitar que o Irã é uma potência regional e deveriam saber que sanções ou ameaças militares não vão beneficiá-los, mas serão contra os interesses deles e contra os interesses de alguns países europeus – afirmou Safavi ao canal de TV.

Os EUA e potências européias têm liderado os esforços internacionais para controlar o programa nuclear iraniano, que, segundo alguns países do Ocidente, serve de fachada para um programa de armas atômicas, uma acusação negada pelo Irã. O governo norte-americano diz desejar uma solução diplomática para o embate, mas mantém aberta a alternativa militar.

– Vemos a presença dos EUA no Iraque, no Afeganistão e no golfo Pérsico como uma ameaça e recomendamos que eles não se mobilizem no sentido de ameaçar o Irã – disse Safavi.

Segundo o comandante, os EUA deveriam corrigir os erros cometidos no Iraque “saindo do Iraque e entregando o destino do povo iraquiano ao governo eleito”.

– Defender a independência do Irã é uma filosofia das forças iranianas – acrescentou.

Safavi afirmou, em janeiro, que o país retaliaria imediatamente se fosse atacado. Durante os jogos de guerra, o Irã testou o míssil terra-mar Kowsar (que, segundo analistas, foi projetado para afundar navios), um torpedo de fabricação nacional, um míssil submarino capaz de evitar sonares e um foguete capaz de evitar radares. Especialistas da área militar disseram não haver detalhes suficientes para avaliar a eficiência das novas armas, mas alguns sugeriram que o país pode ter exagerado.

O Irã, de toda forma, ainda poderia ameaçar uma importante rota marítima de escoamento de petróleo por ter uma posição vantajosa no estreito de Hormuz, na entrada do golfo Pérsico, observaram. Cerca de dois quintos do petróleo comerciado no mundo passa por esse estreito.