Com a crise, você já sabe o que vai ser?

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Publicado terça-feira, 8 de janeiro de 2002 as 00:57, por: cdb

A decisão do Desembargador Manoel Álvares de negar o recurso apresentado pela Fenaj e pelo Sind. dos Jornalistas (SP) contra a Juíza Carla Rister, da 16ª Vara Cível de São Paulo que suspendeu a necessidade do registro profissional de jornalista em todo o país, está desmotivando enormemente os estudantes de jornalismo, estagiários e toda a classe profissional. A decepção, o desânimo e aquela sensação de perda era algo evidente em cada rosto em minha sala-de-aula.

Mas felizmente eu estava lá para abrir-lhes um pouco os horizontes, numa tentativa imodesta de fazê-los enxergar um jornalismo além das redações dos grandes jornais. Afinal, quem dos veteranos já não sofreu na mão de um editor? Já não teve que escolher entre a Ética e a sobrevivência? As redações dos grandes jornais têm histórias de deixar qualquer “foca” de cabelo em pé. Mas o que os preocupa é a ameaça de terem de dividir as redações com “escrevedores” – gente sem formação técnica, sem habilitação. Na minha opinião isso é um reflexo da má qualidade da notícia e da enorme concorrência que se estabeleceu com exabytes de informações que circulam entre nós.

Eu não hesito em dizer que a profissão de jornalista vai se extingüir. E, se tiver de ser, será. As empresas de comunicação querem conteúdo. Isto é fato. Preferencialmente de primeira mão. E a verdade é que a notícia é intrínseca à opinião pública. Ela nasce nos centros empresarias, dos lobistas, nos
corredores e bares…

Eu estou querendo dizer (parodiando) que “há mais coisas entre a universidade e o mercado de trabalho que um número de habilitação”. Estamos em plena Era de Aquário.

Mais que jornalistas, somos profissionais híbridos; misto de gestores de informação, tecnólogos e educadores! Vejam como avançamos no processo. Cada um de nós pode ser um veículo. Eu sou o exemplo vivo disso e quem me conhece sabe bem do que estou falando.

O recado está dado. Não queiram ser apenas jornalistas. Pensem em criar um estilo, em fazer a diferença, deixar uma marca. Pensem em entender o caminho que a informação percorre (da sugestão de pauta à publicação); pensem em entender das “Mitologias” de Barthes, da “Cibercultura” de Lévy… Pensem em toda a semiologia contida na iluminação de um autêntico “Saura” e na máxima socrática que nos alerta para o tão pouco que sabemos.

É isto.

* Tina Andrade – Gestão de Informação / Jornalismo Tecnológico / Networker
tinandrade@ig.com.br
redacao@anec.info

Texto extraído do site Comunique-se (www.comunique-se.com.br)