Coluna do Sérgio Nogueira Lopes

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Publicado sexta-feira, 14 de janeiro de 2005 as 11:45, por: cdb

Política curiosa

A política brasileira realmente é muito curiosa. Por obra e graça do  senador José Sarney (PMDB-AP), sua filha Roseana vai trocar o PFL pelo  PMDB e ganhar um Ministério. Espera-se que, no desempenho da nova função,  a ilustre parlamentar dedique-se ao trabalho com maior empenho. Afinal,  Roseana tem sido inteiramente omissa em suas atividades no Senado. Nos  dois primeiros anos de mandato, raríssimas vezes foi vista no plenário ou   em alguma comissão. Ou seja, é considerada uma ausência que preenche uma  lacuna. E o pai, como presidente do Senado, não pode desconhecer esse  procedimento omisso da filha querida.  A família gosta mais do poder executivo.
 
 
Inferno astral


Xuxa volta de Miami no  próximo dia 22, abalada pela morte de uma amiguinha de sua filha Sasha, na Disneylândia. A menina teve um ataque  cardíaco fulminante, depois de andar com Sasha na montanha russa, antes  do Natal. Deprimida, Xuxa volta sem saber seu destino na TV Globo. O  programa para crianças foi tirado do ar e na diretoria ninguém sabe o que  fazer com a apresentadora, que está em fase de inferno astral.
 
 
Sexo
Na Suécia, fazer sexo barulhento de noite é motivo para despejo, mas  durante o dia os casais podem estar à vontade. 
 
Vietnã
A lembrança do Vietnã volta a assustar os americanos. Uma unidade da  Guarda Nacional dos EUA autorizou que a TV CBS filmasse a chegada de seis  caixões com corpos de soldados mortos no Iraque. A autorização desobedece  instruções do Pentágono no sentido de não dar publicidade às baixas de  militares norte-americanos no conflito. Na guerra do Vietnã (1964-1975),  imagens semelhantes chocaram o país, que então conheceu a primeira  derrota militar em sua história. No Iraque, contando-se os funcionários  civis, já morreram mais de 1,5 mil americanos. E o número só faz  aumentar.
 
Estilo
É impressionante a qualidade dos textos escritos por Lima Barreto no  hospício. Em 1919, na noite de Natal, após vagar embriagado e delirante  pelas ruas do subúrbio, Lima Barreto foi levado pela polícia ao Hospício  Nacional de Alienados, na Praia Vermelha, onde ficaria internado até 2 de  fevereiro. Tinha 38 anos e era um escritor consagrado, com a maior parte  da obra já publicada. Mesmo assim, Lima Barreto deu entrada ali como  indigente. Vale a pena ler esse diário do hospício, contido no  recém-lançado “Cemitério dos Vivos”. É uma lição de vida e estilo.