Collor chora em seu primeiro discurso no Senado

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Publicado quinta-feira, 15 de março de 2007 as 19:33, por: cdb

Em seu primeiro discurso cmo senador, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) disse querer “passar a limpo” o episódio que resultou na perda de seus direitos políticos. O plenário do Senado, com 63 dos 81 parlamentares presentes, parou para ouvir as palavras do ex-presidente.

– Os episódios que aqui vou rememorar obrigaram-me a padecer calado e causaram mossas na minha alma e cicatrizes no meu coração. Fui acusado sem provas, insultado e humilhado durante meses a fio. Tive minha condenação antes mesmo de qualquer julgamento. (…) Hoje, passados 17 anos de minha posse na Presidência da República, volto à atividade política integrando esta augusta Casa, a mesma que a interrompeu por decisão dos ilustres membros que a compunham -, afirmou.

Em um discurso de 99 páginas, intitulado de “O resgate da história” com 19 capítulos, Collor esclareceu detalhes do processo de impeachment, em 1992, que teve início com a instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que comprovou a existência de um esquema de corrupção coordenado pelo empresário Paulo César Farias ex-tesoureiro da campanha de Collor.

Collor alegou que a CPI recomendou a sua perda de mandato presidencial sem nenhuma evidência de que estivesse envolvido em ações de corrupção.

– Se não fui notificado, indiciado, como acusar quem não foi objeto de investigação? (…) A mim, nem o benefício da dúvida foi concedido -, disse.

O senador usou palavras como “arbítrio”, “prepotência”, “grande farsa” e “falsidade” para se referir ao episódio do impeachment. Collor alegou inocência e se disse injustiçado com a perda do mandato.

– Declaro a minha absoluta inocência ante as imputações que, ao longo de todo o processo, me foram feitas, sem consistência, sem comprovação e sem nenhum fundamento. Fui afastado na suposição e tão somente na suposição de que as acusações que me fizeram fossem verdadeiras -, afirmou.

O senador chegou às lágrimas depois que o senador Romeu Tuma (PFL-SP), que foi diretor da Polícia Federal em seu governo, rasgou elogios ao ex-presidente.