Colegas feridas de menina atingida pelo Taliban voltam à escola

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Publicado quinta-feira, 29 de novembro de 2012 as 13:31, por: cdb
Karinat Riaz lê livro após retorno à escola em Mingora, no vale de Swat, no Paquistão

Duas meninas paquistanesas feridas por tiros de um esquadrão de ataque do Taliban que tentava matar sua colega, Malala Yousufzai, voltaram para a escola nesta quinta-feira sob forte esquema de segurança. Um homem armado atacou Malala, que era defensora da educação para meninas, apesar das ameaças do Taliban, em 9 de outubro, quando ela estava saindo da escola no vale de Swat, no Paquistão. Ela foi ferida na cabeça e duas de suas amigas da escola também ficaram feridas.

O tiroteio provocou indignação generalizada. Malala, que está se recuperando em um hospital britânico, atraiu admiração internacional por sua campanha.

Na quinta-feira, a polícia acompanhou suas colegas adolescentes, Kainat Riaz e Shazia Ramazan, de volta para a escola.

– Estou muito animada para voltar aos meus estudos, mais uma vez na escola, mas com certeza vou sentir falta da Malala”, disse Kainat, que foi baleada no braço, à agência inglesa de notícias Reuters.

As duas meninas terão escoltas de segurança por tempo indeterminado, segundo a polícia. O ataque a Malala, 15 anos, ocorreu depois de anos de campanha que tinha colocado a menina contra um dos comandantes mais brutais do Taliban do Paquistão, conhecido como Maulana Fazlullah.

Fazlullah e seus homens tomaram o Vale de Swat e explodiram escolas para meninas e executaram publicamente aqueles que consideravam imoral ou que tentavam enfrentá-los. Em um determinado momento, o Exército lançou uma ofensiva para expulsar os militantes.

Embora Fazlullah e seus homens terem fugido para as montanhas, Swat continua sob tensão e parece inconcebível que Malala, que se tornou um símbolo da resistência aos esforços do Taliban para negar educação para as mulheres, poderá voltar para casa e para a escola.

Seu pai disse no final de outubro que ela iria “levantar-se de novo” e perseguir seus sonhos depois do tratamento médico. Dezenas de milhares de britânicos pediram ao governo para nomear Malala para o Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo. O Paquistão tem 5 milhões de crianças fora da escola, um número superado apenas pela Nigéria, informou a ONU em um relatório publicado esta semana. Dois terços dessas crianças são meninas.