Clodovil vai responder a processo por racismo no Rio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 31 de outubro de 2006 as 10:28, por: cdb

A Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) ingressou na Justiça do Estado do Rio, nesta terça-feira, com uma interpelação judicial contra o deputado, apresentador de TV e costureiro, eleito com mais de meio milhão de votos em São Paulo, Clodovil Hernandes (PTC-SP), por declarações racistas durante entrevista a uma rádio carioca. O parlamentar eleito, além de dizer que os judeus “manipularam a história do Holocausto”, após sugerir que o atentado às Torres Gêmeas, nos EUA, teria sido um complô contra os muçulmanos e, no momento da colisão dos aviões, “não “tinha (norte-)americano nenhum e não tinha um judeu”.

– Inacreditável que um cidadão brasileiro pertencente a uma minoria discriminada em nosso país, venha a público numa das rádios de maior audiência em nosso Estado cometer crime de racismo contra judeus e negros. O presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, através de seu diretor jurídico estará interpelando judicialmente o senhor Clodovil Hernandez nas próximas horas – disse o presidente da Fierj, Osias Wurman. 

Clodovil disse, ainda, ao jornalista Maurício Menezes, que uma peça teatral em que trabalhava, em São Paulo, saiu do ar, supostamente, por uma ação “dessas entidades que destróem tudo por debaixo dos panos”. A agressão aos judeus, no entanto, não foi a única exibição de racismo do deputado eleito. Ele contou, no ar, o momento em que foi abordado, pela imigração dos Estados Unidos, ao chegar àquele país, “por um crioulo, é isso mesmo, crioulo, no sentido pejorativo”. O oficial da imigração, segundo o parlamentar, pediu-lhe documentos adicionais ao passaporte.

Em outro caso de racismo em que o parlamentar-costureiro se envolveu, Clodovil foi condenado a pagar uma indenização de 80 salários mínimos (cerca de R$ 25 mil), por dano moral, à vereadora Claudete Alves da Silva Souza (PT), de São Paulo. A vítima entrou com ação na Justiça paulista por ter sido chamada de “macaca de tailleur metida a besta”, durante entrevista a um jornal local.

Em 2004, Clodovil voltou a incorrer no mesmo crime. Ele comentou, pela RedeTV, as declarações do cantor Aguinaldo Timóteo (PP) sobre a ação de fiscais municipais no centro da capital paulista, que proibiam a venda ilegal de seus CDs.

– Tem que vender disco na rua (…) Ele vai fazer o quê? Ele vai fazer o que todo crioulo faz no Brasil? Vai virar ladrão, bandido ou o quê? – disse o costureiro.

Comments are closed.