Clínica de médico acusado de esquartejar mulher em SP é arrombada

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Publicado domingo, 2 de fevereiro de 2003 as 23:23, por: cdb

As portas de entrada da clínica do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, 53, acusado de esquartejar a dona-de-casa Maria do Carmo Alves, 46, foram encontradas abertas neste domingo. Para a Polícia Civil, o arrombamento pode indicar que o invasor tentaria retirar do local provas do crime.

A reconstituição do assassinato deveria ocorrer na tarde de hoje. Foi cancelada depois de uma liminar da Justiça, conseguida pela defesa do acusado, que livrava Farah de participar dos trabalhos.

A porta de ferro da entrada da clínica, localizada em Santana, zona norte, foi arrombada. Ela havia sido lacrada pela polícia. O imóvel deverá ser vigiado a partir de agora.

Para a polícia, a invasão pode indicar que um cúmplice tenha tentado retirar do consultório algo que pudesse incriminá-lo. Não estão descartadas, porém, as hipóteses de vandalismo ou de que alguém tenha tentado atrapalhar as investigações.

A fachada da clínica foi pichada na sexta-feira. Peritos do Instituto de Criminalística realizaram, no mesmo dia, nova vistoria na clínica e utilizaram um reagente para localizar vestígios de sangue nos possíveis locais do crime.

A Polícia Civil afirmou, na ocasião, ter identificado o local do assassinato.

Os pedaços do corpo de Maria do Carmo foram encontrados na noite de domingo (26) dentro do porta-malas do carro do médico, um Daewoo Espero, em sua casa, também no bairro de Santana. Estavam embrulhados em sacos plásticos.

Em depoimento à polícia, o médico confessou o assassinato, mas afirma ter sofrido um “lapso de memória” em relação aos detalhes do crime.

Familiares do médico são ouvidos pela polícia. As três secretárias do consultório de Farah também deverão ser ouvidas pelo delegado titular do 13º Distrito Policial (Casa Verde), Ítalo Miranda Júnior. Elas foram convocadas para depor na semana passada, mas não apareceram.

O inquérito policial deverá ser finalizado até terça-feira. A Justiça decretou a prisão preventiva (até o julgamento) do acusado.

Reconstituição

Uma liminar concedida pelo juiz plantonista do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais) Ivo de Almeida cancelou a reconstituição do crime, que deveria ocorrer na tarde deste domingo.

A liminar proibiu a polícia de levar o médico à clínica, onde ocorreriam os trabalhos.

Os advogados de Farah alegaram que a presença do médico na reconstituição não era necessária porque ele “não se lembra de nada”.

O Ministério Público deverá recorrer e tentar cassar a liminar.

Crime

O crime teria ocorrido no último dia 24, segundo relato de uma sobrinha de Farah, baseado na confissão do médico.

Na ocasião, a dona-de-casa havia avisado o marido, o porteiro João Augusto de Lima, que iria ao médico.

O corpo da vítima foi cortado em nove partes. A pele do rosto e dos seios foram arrancadas. Faltavam as vísceras e as pontas dos dedos.

Depois do crime, Farah foi internado em uma clínica psiquiátrica na Granja Julieta, zona sul, a mesma onde ficou o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, acusado de matar a também jornalista Sandra Gomide, em 2000.

Ele foi transferido dia 27 para a carceragem do 13º Distrito Policial, onde divide a cela com cinco presos. Entre eles, o pediatra Eugenio Chipkevitch, acusado de sedar e abusar sexualmente de seus pacientes.

O acusado disse à polícia que Maria do Carmo tentou entrou no consultório com uma faca e tentou agredi-lo.

Segundo a polícia, o crime ocorreu no consultório. Farah teria levado cerca de dez horas para esquartejar e dissecar o corpo da vítima.

Supostos fragmentos de tecido humano foram encontrados em uma banheira da clínica. Fitas de áudio apreendidas no consultório do acusado indicam que Farah e Maria do Carmo mantinham uma relação íntima.

Fitas de áudio apreendidas no consultório do acusado indicam que Farah e Maria do Carmo mantinham uma relação íntima.

Segundo a polícia, o médico gravava suas conversas telefônicas porque queria ter provas de que recebia ameaças suposta