Cinco pessoas morrem na 1ª chacina na gestão de Rosinha Garotinho

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Publicado sábado, 4 de janeiro de 2003 as 00:10, por: cdb

A gestão da governadora Rosinha Garotinho (PSB), a três dias no cargo, registrou nesta sexta-feira sua primeira chacina: cinco pessoas foram mortas no bairro de Ramos, na zona norte do Rio.

Segundo a Polícia Civil, as vítimas seriam traficantes da favela Nova Brasília (complexo do Alemão, zona norte), controlada pela facção criminosa CV (Comando Vermelho). Elas teriam sido mortas por rivais do vizinho morro do Adeus, dominado pela facção ADA (Amigo dos Amigos).

Os cinco corpos, carbonizados e mutilados, estavam dentro de um Honda Civic cinza, encontrado em Ramos (zona norte) no início da madrugada. O carro também foi incendiado.

Segundo peritos do IML (Instituto Médico Legal), os corpos estão irreconhecíveis e só poderão ser identificados por meio de exame de DNA. A polícia informou que três dos cadáveres são de homens.

De acordo com o titular da 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso, zona norte), delegado Válter Alves de Oliveira, os crimes são a sequência de uma disputa por pontos-de-venda de cocaína e maconha entre as quadrilhas do Alemão e do Adeus, que se acirrou nas últimas duas semanas.

Oliveira afirmou que, antes da matança de hoje, pelo menos três pessoas morreram na região desde 22 de dezembro, vítimas da guerra entre as quadrilhas inimigas.

O Adeus era o principal reduto do traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, morto por presidiários ligados a Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ligado ao CV, durante a matança ocorrida no presídio de segurança máxima Bangu 1 (zona oeste) em 11 de setembro do ano passado.

Na ocasião, mais três aliados de Uê foram mortos. Uê e Beira-Mar rivalizavam no fornecimento de cocaína e maconha para as favelas do Estado do Rio. Uê era líder da ADA.

Outras mortes

Na noite do dia 1º, o traficante Ronaldo Ferreira da Rocha, o Ronaldinho, apontado como tesoureiro do tráfico no complexo do Alemão, foi morto a tiros na própria favela por rivais do Adeus.

Segundo a Polícia Civil, o crime foi uma vingança pela morte, no dia anterior, de André Araújo da Costa, o Batgirl, apontado como um dos gerentes do Adeus. Ele foi assassinado por inimigos do Alemão, que invadiram a favela na madrugada do dia 31. Em represália, os traficantes ordenaram o fechamento do comércio no Adeus.

No dia 22 de dezembro, Jorge Pereira da Silva, apelidado de Nil ou Jacaré e um dos gerentes do Adeus, foi morto por inimigos do Alemão.

Medo

Assustados, moradores e comerciantes da rua Maria da Glória, onde foram encontrados os corpos, se recusaram a dar entrevistas. O comércio no complexo do Alemão funcionou normalmente.

A polícia informou que o Honda Civic fora roubado no dia 31. Com placa de São Paulo, o carro pertenceria a um empresário paulista, cujo nome não foi revelado pela polícia.

A rivalidade entre as quadrilhas do Adeus e do Alemão vem desde 1994. Naquele ano, Uê mandou matar o comparsa Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, então chefe do CV e do complexo do Alemão.

Com isso, Uê foi expulso do CV, fundou a ADA e passou a ser odiado pelos traficantes do Alemão, especialmente por Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso em Bangu 1 e foi um dos indiciados pelo assassinato do rival.