Cigarro atrapalha vida afetiva

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Publicado segunda-feira, 29 de maio de 2006 as 12:50, por: cdb

Uma pesquisa desenvolvida pela indústria farmacêutica Pfizer aponta que o ato de fumar é prejudicial não apenas à saúde, mas também reflete nos relacionamentos afetivos. Foram ouvidos 1,5 mil brasileiros com mais de 18 anos. Dos entrevistados, cerca de 37% já tinham fumado alguma vez na vida. Desses, 57% já tinham abandonado o vício.

Segundo o estudo, a visão do tabagismo difere bastante nos três grupos entrevistados: os fumantes, os ex-fumantes e os não-fumantes. Somando todos os participantes, seis entre dez brasileiros consideram o ato de fumar “nojento”. Os não-fumantes usaram esse termo com maior freqüência que os fumantes (62% vs 46%). Já a maior parte dos fumantes descreveu o ato de fumar como sexy, intrigante e sofisticado.

Entretanto, a opinião dos entrevistados muda quando questionados sobre o que pensando dos outros. Mais da metade das pessoas ouvidas na pesquisa confessou já ter perdido o interesse por alguém depois de descobrir que ele ou ela fumava. 30% dos não-fumantes entrevistados afirmaram desistir de um encontro por que a pessoa era fumante.

Os fumantes revelaram que 22% deles já foram rejeitados para um encontro por terem o hábito de fumar. Para 7% dos fumantes, o vício foi empecilho até para o ato sexual.

Sexy ou nojento, o cigarro causa um impacto muito grande na vida das pessoas, e não se trata apenas de saúde, embora não se possa descartar esse outro lado. A pesquisa revelou que os brasileiros também estão muito preocupados com isso. Tanto os fumantes (85%) quanto os ex-fumantes (75%) concordaram em um ponto: o tabagismo tem um impacto negativo na vida do brasileiro.

O principal ponto negativo apontado foi os danos à saúde, o que representou 53% das respostas. Outros quesitos também levantados como fatores relacionados ao tabagismo que afetam a qualidade de vida foram: o desempenho atlético (47%), relacionamentos familiares (42%) e a atração por um parceiro em potencial (34%). Curiosamente, apenas 1% dos entrevistados usou o termo ¿não-saudável¿ para descrever o fumante.

O tabagismo é a principal causa de morte previsível no mundo. Mundialmente, cerca de 1,3 bilhão de pessoas fumam. Aproximadamente 5 milhões de pessoas morrem de doenças relacionadas ao cigarro todos os anos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 8 segundos alguém morre de uma doença relacionada ao tabagismo, tão depressa quanto um novo fumante adere ao vício. O tabagismo causa cerca de 50 doenças, sendo que 20 são fatais.

Os números podem não passar a real gravidade da situação, mas há uma conscientização da população mundial, em especial da brasileira, de que o cigarro é maléfico. Muitos fumantes gostariam de parar de fumar e prevenir danos à saúde, mas a OMS estima que apenas 0,5% a 5% dos fumantes que tentam parar de fumar conseguem atingir a abstinência a longo prazo sem apoio médico.

– Falta procurar tratamento. Se as pessoas que querem parar de fumar procurassem ajuda de um especialista, o processo seria mais fácil e as chances de sucesso seriam infinitamente maiores –  afirma Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor.

Segundo a médica, após 10 a 15 anos de abandono do cigarro, um ex-fumante tem um risco de mortalidade similar ao de uma pessoa que nunca fumou.

– Parar de fumar em qualquer idade reduz o risco de morte prematura – afirma. 

Ainda de acordo com estudos da OMS, até mesmo um conselho rápido de um profissional da área da saúde pode aumentar a abstinência do tabaco em 30%. Segundo Issa, um tratamento de sucesso combina aconselhamento com farmacoterapia.