CIA alerta para novos ataques

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Publicado sábado, 19 de outubro de 2002 as 00:40, por: cdb

O diretor da CIA, George J. Tenet, afirmou a um comitê do Congresso na quinta-feira que o risco de um novo ataque terrorista nos Estados Unidos seria tão sério e imediato como no período que antecedeu os seqüestros de 11 de setembro, mesmo após as agências americanas de inteligência terem expandido seus esforços de contra-terrorismo ao longo do último ano.

“O cenário no qual nos encontramos hoje é tão ruim quanto no verão passado, o verão que antecedeu 11 de setembro”, disse Tenet ao comit6e conjunto de inteligência que investiga os ataques. “É grave, eles se reconstituíram, e estão vindo atrás de nós, com o desejo de executar novos ataques”.

“Vê-se isso em Bali, no Kuwait”, disse Tenet, que, juntamente com outras autoridades da administração Bush, tem afirmado nos últimos dias que o ressurgimento da Al-Qaeda teria sido demonstrado nos recentes ataques contra fuzileiros no Kuwait e a terrível explosão em Bali que causou a morte de mais de 180 pessoas.

“Eles fazem planos em frentes múltiplas”, disse ele. “E eles pretendem atacar novamente”.

Tenet não foi diretamente questionado sobre como a CIA poderia impedir um futuro ataque, uma vez que falhou no ano passado. Ele disse ao comitê que a agência ampliou no último ano sua equipe e orçamento para contra-terrorismo, adotando novas medidas para se infiltrar e neutralizar organizações terroristas.

O alerta não foi a primeira declaração do gênero do chefe do serviço de inteligência do país. Mas este foi o mais claro alerta de Tenet sobre um outro ataque, fazendo-o ao defender o desempenho de sua agência das excepcionalmente duras críticas feitas pelos parlamentares na audiência de quinta-feira.

Alguns legisladores acusaram a CIA e outras agências de inteligência de interpretarem mal os sinais de aviso, ignorando inúmeras oportunidades de impedir os ataques de 11 de setembro.

Outros questionaram se Tenet estaria sendo suficientemente agressivo. O senador democrata Carl Levin acusou a CIA de um grave erro ao não alertar o FBI em março de 2000 quando soube de um terceiro país que Nawaq Alhazmi, que mais tarde se descobriu estar entre os seqüestradores, estaria nos Estados Unidos.